Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 17/05/2020
De acordo com a ética consequencialista proposta pelo filósofo britânico John Stuart Mill, a ação moralmente adequada é aquela que maximiza a felicidade para um maior número de indivíduos. Essa concepção auxilia na análise da importância vinculada ao combate dos desafios intrínsecos na questão da saúde pública nacional, fator que evidencia os princípios ideais abordados pela teoria do pensador. Entretanto há, hodiernamente, a proliferação de epidemias em níveis sociais diversos devido, principalmente, à desinformação do tecido comunitário e ao desrespeito dos aspectos constitucionais estipulados.
Em primeiro plano, é importante mencionar que o esclarecimento público é uma prática que possui estímulo insuficiente na atual conjuntura social. Acerca disso, o filósofo prussiano Kant expõe que os indivíduos viviam em um estado de menoridade, este marcado pela passividade particular e, para alcançarem a autonomia (maioridade), era necessária a transmissão de informação comunitária. Nessa perspectiva, se não há a propagação de esclarecimentos concisos, é impossível exigir mudanças na errônea mentalidade cidadã, fator que contribuirá para a persistência de dificuldades na área da saúde brasileira, como os frequentes casos epidêmicos. Logo, a proposição de ética exposta por Mill se restringirá à utopia.
Em segunda análise, é fulcral destacar os desafios da aplicabilidade dos panoramas legais estabelecidos. Sobre isso, a atual base legal do Brasil destaca, como direito de todos, o acesso à qualidade de saúde. No entanto, os altos níveis de epidemias e os seus respectivos reflexos contrariam à garantia do panorama supracitado, o que atesta contra à verdadeira noção de civilidade e expõe o descaso governamental em lidar com a temática. Assim, é inaceitável que a legitimação dos aspectos legais seja substituída por situações de desrespeito ao bem-estar público.
Portanto, para que a ética consequencialista abordada por Mill não seja meramente uma proposição teórica, são necessárias atitudes mais efetivas dos órgãos competentes. Para tanto, o Ministério das Comunicações deve garantir qualidade de informação à nação em geral, por meio da veiculação de propagandas na mídia televisiva e nas redes sociais, com a participação de influenciadores digitais e de profissionais da área, como médicos, a fim de instigar à adoção de atitudes que combatam a propagação epidemiológica nacional. Ademais, urge que o Poder Público assegure a prática da inspiração constitucional, por meio da avaliação dos fatores que impedem essa plena garantia, a partir da inovação no setor, com fito de promover o bem-estar populacional e romper com os desafios do campo. Ações, que tomadas no presente, mudarão o futuro de todos.