Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 24/06/2020

De acordo com o sociólogo Émille Durkheim, a solidariedade social é fruto da consciência coletiva. Nessa lógica, as epidemias presentes na sociedade brasileira agravam a situações do país provocando uma sobrecarga nos sistemas de atendimento que se encontram negligenciados pelo Estado. Nesse sentido, observa-se que os grandes surtos de doenças se configuram num cenário desafiador para o desenvolvimento nacional, seja a partir das grandes cidades com as comunidades que carecem de atendimentos, seja pela falta de investimentos e políticas de saúde por parte do governo.

A priori, cabe analisar a questão dos grandes núcleos urbanos que cresceram desacompanhados de estruturação sanitária e se tornam potencializadores de disseminação de doenças. De acordo com pesquisas recentes, a região Sudeste apresenta os maiores casos e propagação de epidemias. Nesse contexto, a urbanização rápida, que se decorreu ao longo do final do século XIX com o aparecimento das favelas e comunidade tem relação direta com o aprofundamento de epidemias. Uma vez que, desacompanhadas de medidas sanitárias, grandes contingentes populacionais sofrem com o rápido contágio de transmissores, como o Aedes aegypt, causador da Dengue, do Zikavirus e da Chicungunha. Por conseguinte, as zonas carentes sobrecarregam os postos de saúde dos bairros - que já vivenciam com a falta de médicos e remédios-, dificultando a atenção básica pública aos doentes.

Além disso, avalia-se a falta de investimentos e políticas públicas por parte do Governo Federal. Nesse panorama, segundo a Constituição Brasileira, é dever do estado a defesa da saúde como direito de todos. Porém, inegavelmente, há um descumprimento de cláusulas pétreas pela falta de atenção do Estado frente essa problemática. Prova disso, se dá pela falta de investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), que atende, não somente as populações carentes, mas toda a nação, perante a grandes endemias sem o fornecimento de remédios e atendimento o que compromete o amparo às pessoas que o necessita. A par disso, como forma de atenuar a condições desses grupos sociais, cabe aos órgãos governamentais a implementação de políticas públicas que fomentem a melhoria do SUS.

Infere-se, portanto, que a negligência do Estado na saúde pública a par de grandes epidemias é necessária de ser alterada. Dessa forma, urge que o governo, na figura do Ministério da Saúde, juntamente com estados e municípios crie e desenvolva obras e projetos de postos de saúde e promova a fiscalização no combate a vetores de doenças, afim melhorar as condições de moradia e saneamento de populações mais pobres, por meio de verbas públicas. Outrossim, o Estado deve firmar parcerias com redes privadas de profissionais e medicamentos no melhoramento do SUS. Com essas medidas em prática, a consciência coletiva proporcionará o desenvolvimento do Brasil.