Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 30/06/2020

Saúde x Informação

O filme “93 Dias” mostra o enfrentamento de uma epidemia na Nigéria, a equipe de saúde se mobiliza para conter o surto de Ebola que assolava a população. Baseado em fatos reais, o filme expõem a importância da atuação do sistema de saúde no controle de uma doença de alta mortalidade. Fora das telas, no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS), regulamentado pela Lei 8.080 de 1990, precisa enfrentar os desafios impostos pela realidade para realizar o enfrentamento de epidemias.

Primeiramente, o Brasil como um país de dimensões continentais e biodiverso abriga inúmeros patógenos e doenças infecciosas como dengue, febre amarela e sarampo que ainda não estão erradicadas. E muito além dos baixos investimentos no sistema de saúde, o desafio é superar as desigualdades sociais, precariedade no saneamento básico para o controle dos vetores e a baixa cobertura vacinal. De acordo com o relatório “Trata Brasil”, 105 milhões de habitantes não possuíam acesso à coleta de esgoto em 2015. Uma situação ainda mais grave é vista na região Norte e Nordeste onde 91,3% e 75,3% dos habitantes não tinham acesso a coleta de esgoto em suas residências.

Além disso, recentemente o país enfrentou o aumento de casos de sífilis, entre 2010 e 2018 aumentou 3600%, conforme a revista “Veja Saúde” de março de 2020. Uma epidemia instalada, apesar de a doença ser de fácil prevenção, diagnóstico e tratamento. Apesar, do SUS disponibilizar testes rápidos para detecção das IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis) e dos esforços para informar a população quanto a prevenção e tratamento ainda falta informação. Para que o ciclo da sífilis seja interrompido é preciso informação adequada e o rastreamento correto das pessoas mais vulneráveis.

Portanto, os desafios do SUS, no enfrentamento de epidemias, vão além de sua estrutura, está também associado com as desigualdades sociais e o alcance, efetividade e eficácia das informações. Para tal, cabe ao Governo realizar investimentos financeiros para melhorias na educação e instituir políticas públicas para melhor distribuição de renda. O Ministério da Saúde pode intensificar as campanhas informativas que veiculam em rádio, televisão e redes sociais. Estas que trazem informações quanto diagnóstico, prevenção, tratamento e acesso ao serviço de saúde precisam chegar a toda população numa linguagem acessível. Assim, é possível alcançar um Sistema de Saúde equânime e de acesso universal.