Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 01/07/2020
No século XIV, período da Baixa Idade Média da Europa Ocidental, a “Peste Negra” ceifou a vida de cerca de um terço da população do referido continente, ocasionada sobretudo pela picada da pulga proveniente do rato. Tal fato estava tão fora de controle, que houve uma comoção social, de tal modo que várias pessoas largaram suas casas e propriedades só para fugir do surto. No Brasil contemporâneo, por sua vez, as dificuldades em lidar com as epidemias dão-se devido à desinformação concernente, em especial, as doenças infecciosas por parte dos indivíduos e a negligência da administração pública em promover medidas de prevenção (ou de erradicação) às infecções.
Inicialmente, o mosquito Aedes Aegypti tem sido pródigo em transmitir doenças aos brasileiros como, por exemplo: a febre Amarela, do Zika, do Chikungunya e, especialmente, a Dengue. O clima quente e úmido das florestas tropicais (Mata Atlântica e Amazônia) têm favorecido o desenvolvimento do mosquito e a sua difusão pelo país. Conjugado a esses fatores, a ignorância de boa parte do brasileiros em destruir os habitats dos parasitas, para a extração de madeira, o garimpo ilegal bem como a construção de suas moradias nesses locais paupérrimos recrudesce os casos de pessoas infectadas. Daí os agentes de saúde sentem dificuldades não só de acesso aos locais de foco das larvas, assim como a inexorável vontade dos proprietários em permitir à sua entrada nas residências, o que pode ser traduzido em números: quando em 2015 houve o maior surto da história de casos de dengue– desde o início da série histórica em 1990– com aproximadamente 1,6 milhão de infectados.
Outro problema também é referente à negligência da administração pública no que concerne ao zelo com a população em estado de vulnerabilidade socioeconômica. O que ilustra e reproduz isso muito bem é o filme “Sonhos Tropicais”, no qual Estado não fornece aos moradores a devida infraestrutura–seja de moradia ou educacional–,a fim de protegê-los e, tampouco, remédios ou medidas eficazes no combate à proliferação das ratos e mosquitos que transmitiam, respectivamente, a Peste Bubônica e a Febre Amarela–doenças, as quais tiraram muitas vidas tal e qual na Baixa Idade Média.
Frente às problemáticas supracitadas, compete ao Congresso Nacional como também ao Ministério da Saúde deliberarem e aprovarem Projetos de Lei (que subsidiem e forneçam auxílios de habitação), a fim de remanejar pessoas de lugares próximos aos habitats de parasitas infecciosos para centros urbanos. Além disso, que elas, também, propiciem a realização de concursos públicos para agente de saúde, uma vez que, com mais profissionais da área, sobra tempo livre para a montagem de barracas de atendimento em bairros com o escopo de promover consultas e palestras informativas acerca dos devidos cuidados que podem ser tomados por cada indivíduo em particular afastando-os da ignorância.