Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 16/06/2020
A educação é o único caminho para emancipar o homem. Desenvolvimento sem conhecimento é a criação de riquezas apenas para alguns privilegiados. Analogamente ao pensamento do ex-governador Leonel Brizola, a displicência do sistema educacional ofertado pelo Brasil torna-se determinante para o descaso da saúde publica frente à epidemias. Com isso, surge a problemática do alastramento de doenças que persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela inadvertência para com a vacinação, seja pela carga dupla de má nutrição.
Em primeira análise, infere-se que várias doenças podem ser evitadas por meio de vacinas. Entretanto, algumas pessoas optam por não vacinar seus filhos por não possuírem informação suficiente acerca da propagação de enfermidades. Sob esse viés, o insatisfatório serviço de saneamento básico em locais menos favorecidos contribui para a proliferação de vetores, como por exemplo, o Aedes Aegypti, transmissor de várias doenças, entres elas a febre amarela. Nesse ínterim, a ausência de referência torna-se perigosa,e assim como expôs Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Portanto, quando o indivíduo não recebe um ensino de qualidade, esse erro é refletido em todos os aspectos sociais. Construindo assim, uma sociedade refém dos seus problemas.
Em segundo lugar, ressalta-se que, a contemporaneidade vivencia o paradoxo da obesidade. Acerca disso, no século XX, o excesso de peso era sinal de opulência. Porém, na pós-modernidade o sobrepeso afeta com mais intensidade as camadas menos favorecidas. Isso se deve ao fato que a disponibilidade de alimentos pouco saudáveis, ricos em gorduras saturadas, são muito mais baratos. Entretanto, apesar de monetariamente possuir um menor custo, fisiologicamente o valor acaba sendo maior, acarretando doenças cardiovasculares. Nesse contexto, a ingestão de produtos ruins para a saúde começa na infância, a propaganda de alimentos obesogênicos difundi-se cada vez mais nos meios de comunicação. Sob essa ótica, o filósofo Theodor Adorno expõe que o consumidor não é soberano, como a indústria cultural queria fazer crer; não é seu sujeito, mas o seu objeto. Por consequência, as pessoas com menos informação são as mais suscetíveis a carga dupla de má nutrição.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, o Governo Federal deve garantir a vacinação de todos os indivíduos por meio da criação de uma lei que obrigue os pais a vacinarem seus filhos, e campanhas publicitárias visando difundir a informação. É preciso também que o Governo Federal diminua a epidemia da obesidade por meio da proibição de propagandas de alimentos obesogênicos e em parceria com a indústria, diminua o teor de açúcar em alimentos industrializados. Aspirando por meio dessas, lidar com as epidemias que assolam o território nacional.