Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 16/06/2020

A Constituição Federal de 1988 passou a garantir a saúde como direito de todos brasileiros, instituindo o Sistema Único de Saúde (SUS) para tal função. No entanto, a saúde pública vem enfrentando diversos problemas epidemiológicos, como o descaso da população, com as medidas preventivas propostas pelos órgãos da saúde, e do estado, que não destina investimentos necessários para o setor da saúde.

Na década de 90, a Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro, foi uma manifestação popular que negava a vacinação obrigatória contra a varíola, proposta pelo sanitarista Oswaldo Cruz. Atualmente, há, ainda, inúmeros casos de violação da população às medidas preventivas colocadas pelo Ministério da Saúde. A exemplo disso, evidência-se o não cumprimento do isolamento social para evitar o Covid-19, sobretudo, em regiões comerciais, gerando aglomerações e a proliferação da doença. Ademais, constata-se que, no sudeste do país, 52,6% dos depósitos domiciliares são responsáveis pelo acúmulo de água parada e, consequentemente, os avanços da dengue.

Somando a isso, o sociólogo Max Weber atribui à ação social todo comportamento cuja origem depende da reação de outras partes envolvidas. De maneira análoga, observa-se que o comportamento da população é um reflexo do modo como o estado atua sobre as instituições que regem a saúde, ao passo em que esse tem violado com o compromisso constitucional de investir nesse setor, levando, por exemplo, a falta de medidas efetivas na área de prevenção e no estágio inicial, o que culmina no sobrepeso às unidades médias e altas, de acordo com especialistas. Além disso, as flexibilizações comerciais, evidenciadas durante a pandemia do Covid-19, para atender o setor econômico, resultou em maiores índices de mortes pela doença e mostrou a precariedade dos recursos hospitalares que os atuais órgãos da saúde possuem.

É necessário, portanto, que a população seja conscientizada de seus atos e, também, que haja advertências para quem desrespeitar as medidas preventivas no combate às epidemias. Desse modo, a mídia, em parceria com o governo legislativo, poderiam promover propagandas que reforcem os cuidados necessários com as doenças e alertem a aplicação de multas em caso de violação as tais medidas. Ademais, convém ao estado a criação de cotas financeiras significativas para abastecer tanto a rede de saúde pública, como as escolas e universidades, visto que as últimas atenderiam, mais tarde, as demandas da sociedade de maneira mais eficaz. Isso poderia ser realizado a partir de manifestações estudantis e dos profissionais da saúde, a fim de vencer os obstáculos da saúde pública brasileira.