Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 24/06/2020

Norbert Elias, defendeu em seus estudos a existência de teias de interdependência na sociedade que correspondem às forças de subordinação horizontal entre as esferas sociais. Essa abordagem sociológica se faz essencial para o entendimento da importância da eficiência do panorama da saúde para a harmonia coletiva, já que essa constitui parte de uma dessas teias de Elias. Assim, discute-se em uma análise mais intrínseca, as epidemias e suas motivações como um dos desafios da saúde pública no Brasil.

Cabe debater, a princípio, a caracterização da modernidade marcada pelo descaso à vacinação. Nesse sentido, destaca-se a indiferença dos indivíduos perante à vacinação de doenças já erradicadas, mediante a crença de que essas não retornarão a contaminar novos sujeitos. Isso posto, se para Schopenhauer o maior erro humano é abdicar da saúde em prol de qualquer outra vantagem, a negligência da essencialidade das vacinas diante desse pensamento inverídico demonstra tal equivocação para o filósofo. Assim, torna-se clara a necessidade de desmitificar essa convicção popular afim do entendimento geral da relevância da imunização para a proteção contra os agentes patológicos e consequentemente, para o bem social.

Outrossim, avalia-se também a precariedade estatal frente aos cuidados básicos de saúde e de prevenção de doenças. Com isso, evidencia-se a carência de saneamento básico, principalmente em áreas periféricas e rurais, além do escasso sistema de coleta e de tratamento do lixo como exemplificação de contextos favoráveis à proliferação e à disseminação de doenças consolidadas pela ineficácia governamental. Logo, faz-se imprescindível a superação desse panorama de deficiência infraestrutural visando a amenização do contágio de doenças advindo do contato com dejetos e rejeitos contaminados, já que esse impasse diverge das garantias de saúde e de dignidade humana elucidadas pela Carta Magna de 1988.

Portanto, urge a modificação do cenário de instabilidade sanitária vigente. Para isso, o Ministério da Saúde, juntamente com os Governos Estaduais, deverão criar um Plano Para a Prevenção de Endemias. Esse contará com o mapeamento das regiões que carecem dos serviços de saneamento básico, de modo a objetivar um projeto para a sua construção e, assim, atenuar os casos de doenças consequentes da falta de higiene. Ademais, esses mesmos responsáveis devem elaborar publicidades que evoquem a importância da vacinação e que serão ministradas por profissionais da saúde e cientistas. Tais propagandas circularão como anúncios em plataformas como o Youtube e o Spotify e almejarão a precaução contra surtos de doenças a partir do comprometimento social com a vacinação.