Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 21/06/2020

Na obra “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago, é retratada uma sociedade em que uma epidemia se espalha; gera grande colapso e abalo as estruturas sociais. Fora da ficção, a falta de investimento necessário para um bom funcionamento da rede de saúde pública e a negligência populacional são importantes entraves no qual o Brasil deve lidar para conter doenças generalizadas.          Convém ressaltar, primeiramente, que é de suma importância que o governo brasileiro garanta os direitos à saúde para todos, conforme a Constituição Federal de 1998. Segundo Drauzio Varella, médico e escritor brasileiro, sem SUS (Sistema Único de Saúde), o Brasil é uma barbárie. Nesse sentido, o SUS tem papel fundamental na contenção e prevenção de doenças no país. No entanto, o repasse governamental para o tal sistema torna-se insuficiente para enfrentar epidemias que venham causar superlotação em hospitais e o agravamento da contaminação, causando inúmeros mortos por tal enfermidade. Desse modo, o investimento na saúde pública torna-se fundamental para lidar com tal cenário.

Ademais, cabe citar ainda que a conscientização social para manutenção do bem-estar coletivo é imprescindível. Conforme Rousseau, filósofo iluminista, o progresso de uma sociedade está intrinsecamente ligado à autonomia social dos cidadãos que a compõem. Assim, a população deve cooperar em consonância com o Estado para a prevenção e combate de doença. Prova disso são casos de Covid-19 na Coreia do Sul, onde o isolamento voluntário e o uso de máscaras de proteção fizeram-se necessário para contenção da pandemia mundial.

Torna-se evidente, portanto, que há enormes desafios na rede pública de saúde para lidar com doenças altamente contagiosas no Brasil. Dessa forma, faz-se mister que o Ministério da Saúde deve repassar verbas para o SUS com a finalidade de investir em equipamentos, leitos hospitalares, construção de hospitais e contratação de profissionais para atender a demanda populacional a fim de não gerar filas e aglomeração, e resultar na contaminação generalizada. Além disso, o Estado juntamente com a mídia deve conscientizar a sociedade por meio de propagandas com métodos profiláticos de retenção da mazela, para gerar uma consciência e cooperação coletiva. Somente assim, será possível voltar tudo ao normal como na obra de Saramago.