Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 16/06/2020

“O verdadeiro ensaio sobre a cegueira, nada mais é do que o ato de tornar-se cego diante das situações mais óbvias e contagiantes que existem”. Assim, o escritor português, José Saramago, descreve como a ignorância afeta o roteiro caótico sobre uma epidemia que se passa no seu livro “Ensaio sobre a Cegueira”. Paralelamente, fora da ficção, o Brasil encontra desafios ao lidar com doenças altamente contagiosas. Isso se deve à vulnerabilidade socioeconômica e gera superlotação do sistema público de saúde.

Antes de tudo, no que se refere à situação de risco da população, observa-se que os direitos governamentais básicos de um cidadão nem sempre são bem aplicados, visto que, segundo o estudos de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, ¼ de brasileiros encontram-se na linha da pobreza. Portanto, essa parcela de pessoas afetadas não tem acesso a condições que as possibilitam ter uma boa qualidade de vida, como educação e saúde, o que as deixam impotentes em casos que exigem um maior cuidado, como em surtos de doenças.

Ademais, em relação às organizações de saúde, cabe ressaltar que os sistemas públicos nem sempre estão preparados para atender toda a população dependente dele. Segundo o Tribunal de Contas da União, 77% dos hospitais mantém leitos desativados por falta de equipamento. Isso provoca uma sequência de ações que não só leva a um grande número de mortes, como também agrava índices de desigualdade social, tendo em vista que só a classe elitizada tem a possibilidade de pagar por tratamentos qualificados.

Desse modo, os desafios que o Brasil encontra ao lidar com epidemias afetam as estruturas sociais do país e devem ser solucionados de forma eficaz pelos órgãos competentes. À vista disso, cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, oferecer palestras dinâmicas anuais que expliquem como manter a higiene coletiva e pessoal, bem como a importância disso para conter doenças. Ao Ministério Público, fica a responsabilidade de ampliar investimentos ligados à área da saúde para que os hospitais possam ter condições de auxiliar um grande contingente populacional. Somente então haverá um progresso ao combate a doenças contagiosas no Brasil.