Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 30/06/2020
Pajés. Médicos para nobres. Santas Casas de Misericórdia. Instituto Nacional de Previdência Social aos trabalhadores de carteira assinada. Esses eram os sistemas de saúde no Brasil antes da Lei 8080 de 1990, essa que concretizou o artigo 196 da Constituição Cidadã e colocou em vigor o Sistema Único de Saúde (SUS). Desde então, um dos desafios desse programa,infelizmente, é lidar com as epidemias no país, uma vez que na prática essa é uma singular iniciativa para um território com mais de 100 milhões de habitantes. Dessa forma, não só pode-se afirmar a proliferação de arboviroses, como também um mal universal, a obesidade.
Em primeiro viés, Aedes aegypti é o mosquito originário do Egito que é transmissor de enfermidades, como a Dengue, o Chikungunya, e o virús da Zika, e que tem se espalhado pelas regiões tropicais do planeta desde o século XVI, no Brasil, perquisadores da USP afirmam que ele chegou no Período Colonial, juntamente com embarcações de escravos. Isso fez com que esse inseto tivesse bastante tempo para se adaptar a “nação tupiniquim”, sendo um problema controlá-lo, visto as condições favoráveis para se desenvolvimento, sendo elas climáticas ou pelo descarte inadequado do lixo, que gera o acumulo de água, o meio de procriação esses animais. Nesse cenário catastrófico, o Ministério da Saúde registrou cerca de dois milhões de casos dessas arboviroses, em 2019.
Em segundo viés, parafraseando o grande filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação alimentar faz dele. Dessa forma, é inevitável discordar de Tales de Mileto, pois nem tudo é feito de água, existem nos “fast-foods” também o sódio, os açúcares e os lipídios, sendo esses em excesso os principais causadores da obesidade,uma enfermidade epidêmica na “nação verde-amarela”, que tem sido banalizada por conta da falta de tempo, ou por ser mais barato comer algo industrializado do que preparar a comida em casa.Sendo assim, como afirmava Hipocrátes, o pai da Medicina, a corpulência não é só uma doença, mas o prenúncio de outras, a exemplo do diabetes e da hipertensão.
Lidar com as epidemias no Brasil, portanto, é um desafio à saúde pública, tendo em vista não só as arboviroses, como também a obesidade. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, coordenado pelo interino Eduardo Pazuello, que incentive o recolhimento de matérias descartados nas ruas e nas casas, além de uma boa educação alimentar. Isso será feito por meio de um projeto nas escolas que terá uma premiação aos alunos que recolherem a maior quantidade de “lixos que acumulam água parada”, e os que apresentarem as receitas mais criativas e saudáveis aos seus colegas. Com isso, será mais fácil controlar a proliferação do Aedes aegypti, e incentivará a educação alimentar entre crianças e jovens, antes que ocorra um colapso no SUS, e o Estado não possa cumprir o artigo 196.