Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 30/06/2020
Na mitologia grega, Prometeu foi acorrentado a rochedos de sofrimento sob a pena de ter seu fígado devorado diariamente por um abutre. Embora seja um contexto ficcional, o mito assemelha-se à temática hodierna da necessidade de obter novas maneiras de enfrentar epidemias no Brasil. Nesse sentido, a saúde pública do país precisa consolidar-se democraticamente de forma a garantir capacidade de atendimento suficiente. À luz disso, as formas de desafogar o sistema englobam a relevância de combater o movimento antivacina – que dissemina mentiras e causa malefícios à toda a população – e a importância de disponibilizar a educação sobre a prevenção de doenças.
A priori, cabe ressaltar o pensamento do filósofo inglês Thomas Hobbes, em que depreende-se que o homem é lobo do homem. Nesse viés, o ser humano é carrasco de seu semelhante, até mesmo por motivos simples e, por vezes, camuflados na sociedade. Sob esse âmbito, nas últimas décadas ocorreu uma ascensão de grupos extremistas que erguem bandeiras que questionam bases sólidas da Ciência. Nesse sentido, um prejuízo social é iminente, uma vez que indivíduos que aderem a essa ideologia e deixam de vacinar seus filhos, por exemplo, encarecem o tratamento e contribuem com a disseminação de epidemias – já que pessoas propensas a serem novos vetores entram em circulação.
Outrossim, consoante o educador brasileiro Paulo Freire: “Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes”. Sob esse prisma, as desigualdades socioeconômicas nacionais demonstram uma visível variedade cultural. No entanto, é preciso agregar a essa riqueza brasileira uma maior conscientização no tocante à profilaxia. Dessa maneira, males como a obesidade e verminoses podem ser prevenidos por meio da educação alimentar e sanitária, respectivamente. Para tanto, faz-se essencial uma mobilização por parte do Ministério da Economia, a fim de fazer o saneamento básico e a disponibilidade de água potável e encanada serem uma realidade para toda a população.
Logo, é mister que o Ministério da Saúde promova campanhas e palestras em escolas e centros culturais com o fito de respaldar a Ciência e o poder preventivo da vacinação. Além disso, cabe ao MEC a inclusão de uma matéria escolar na Base Comum Curricular que trate sobre formas de prevenir moléstias - por meio de hábitos saudáveis, higiene, atividades físicas e práticas que combatam os agentes infecciosos ou etiológicos. Do mesmo modo, o fortalecimento do SUS com investimentos advindos da arrecadação de impostos é uma maneira de beneficiar todos os cidadãos para o tratamento de enfermidades. Enfim, somente libertando as amarras dos danos gerados pelo senso comum possibilitar-se-á a recuperação da saúde do fígado populacional e, ao mesmo tempo, um voo para longe do abutre da desinformação.