Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 16/06/2020

A OMS – Organização Mundial de Saúde – caracteriza uma doença como epidêmica quando atinge um mesmo local com, no mínimo, 300 casos dessa doença a cada 100 mil habitantes da região. O primeiro relato de epidemia no Brasil ocorreu no século XVI, com a vinda dos portugueses para a América, sendo a varíola a primeira doença transmitida pelos europeus aos nativos, atingindo a marca de mais de 2 milhões de índios mortos dessa enfermidade. De forma análoga, doenças tal como o sarampo, a dengue e o Zika vírus, ainda assolam o território brasileiro, visto que grande parte da população não só desconhece as causas dessas doenças como também não tomam as devidas medidas profiláticas para tais.

Em consequência disso, vê-se, nos dias de hoje, que a dificuldade na vacinação da população é uma das principais causas da permanência de epidemias, como a do sarampo. A forte reação popular frente à vacinação obrigatória da varíola no século XX provocou casos como a Revolta da Vacina de 1904, uma vez que não se advertia devidamente a população sobre a doença e seus métodos profiláticos, o que causava medo nas pessoas. Mais atualmente, estudos do Ministério da Saúde revelaram que, em 2019, somente no estado de São Paulo, foram registrados mais de 16 mil casos de sarampo – doença infecciosa causada por um vírus – em virtude, principalmente, da falta de vacinação do povo, o que torna o cenário de 1904 ainda muito recente no país.

Dentre os inúmeros motivos que levaram as epidemias a se alastrarem pelo Brasil, da mesma forma que há falta de informação, há um sério problema na falta de saneamento básico das cidades. Doenças que possuem como principal vetor o mosquito transmissor, como a dengue e o Zika vírus, podem ser combatidas por medidas profiláticas de higiene e saneamento, tal como eliminar locais com água parada, propícios para a proliferação do mosquito e a erradicação dessas doenças que, juntas, acometem mais de 150 mil pessoas por ano, segundo OMS.

Em face a essa realidade é preciso que seja proposta ao Congresso Nacional a criação de um órgão complementar ao Ministério da Saúde, que será responsável pela administração e efetivação da vacina na população dentro dos postos de saúde como forma de ampliar o alcance da vacina no combate às pandemias no Brasil. Além disso, as Prefeituras Municipais devem adotar um serviço de coleta e limpeza de terrenos, de tal forma que reduza os riscos de proliferação do mosquito vetor de doenças, como a dengue e o Zika vírus. Com tais implantações, as epidemias no Brasil serão uma mazela passada na História brasileira.