Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 18/06/2020

A Revolta da Vacina consistiu em um motim popular no Rio de Janeiro, em 1904. Na época, o governo autorizou a vacinação compulsória dos cidadãos, que ignorantes da situação, recusaram-se a ser imunizados e agiram violentamente. Contudo, apesar desse acontecimento ter ocorrido há anos, lidar com epidemias no Brasil permanece sendo um desafio, ora pela irresponsabilidade civil de parte da sociedade, ora pelos hábitos nocivos da maioria.

Em primeiro lugar, sabe-se que de tempos em tempos ocorrem surtos de doenças e que a melhor forma de zelar pela saúde é vacinando-se e seguindo as medidas profiláticas necessárias. Entretanto, mesmo sendo disponibilizada a imunização gratuita, parte dos indivíduos não se vacinam, seja por desacreditarem na ciência, seja por dogmas religiosos. Inclusive, creem estar usufruindo do direito fundamental à liberdade e não entendem que tem uma responsabilidade civil com os demais. Assim, por mais que boa parte da sociedade se previna, esses indivíduos se tornam vetores de transmissão e contágio.

Acrescente-se que, parcela significativa dos brasileiros não faz exames regularmente e se automedica. Logo, as enfermidades são agravadas, surtos demoram a ser detectados e o Sistema único de Saúde - em um país de dimensões continentais e elevada demanda em decorrência da pobreza acentuada -  é sobrecarregado.

Portanto, é imprescindível tanto que as pessoas sejam responsabilizadas por seus atos, quanto que atitudes nocivas à saúde deixem de ser hábitos. Para isso, deve ser criada uma Lei Federal que torne a vacinação de toda a população obrigatória, para que pessoas irresponsáveis não sejam a causa da morte de vidas inocentes. Além disso, a compra de remédios deve ter maior fiscalização por parte do Ministério da Saúde, deve ser feito um cadastro nacional das farmácias para fiscalizar a frequência e a justificativa para compras de remédios no país, evitando a automedicação compulsiva. Se quer-se ter um país desenvolvido e no qual a Lei Maior de 1988 seja efetiva,  é preciso garantir o direito fundamental à vida e exigir que os cidadãos tenham consciência dos efeitos de seus atos.