Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 28/06/2020

No século XVI, após enfrentarem grandes mudanças em seus vidas, os indígenas da terra brasileira tiveram de encarar um novo problema: a mortandade por doenças europeias. No ano de 1563, os índios que nunca tinham estado em contato com a varíola, foram assolados por uma epidemia dessa doença, trazida pelos europeus. Logo, pode-se perceber que desde os primórdios de sua história, o Brasil nunca soube lidar com epidemias que colocavam e ainda colocam a saúde de seus cidadãos em risco. Por isso, o combate contra doenças de alto contágio deve partir da sociedade como um todo.

Tendo em vista as grandes dimensões do território brasileiro, suas condições ambientais e climáticas somadas ao crescimento caótico das cidades e falta de saneamento básico, pode-se presumir que ele se torna um lugar favorável ao desenvolvimento de agentes transmissores de doenças, como, por exemplo, os mosquitos. Eles, que assumem papel de vetores da doença, podem transmitir aos cidadãos os mais variados arbovírus, causando doenças como a dengue, a chikungunya, entre outras. Estas se espalham facilmente em determinadas épocas do ano, contaminando boa parte da população, como é o caso da dengue que até o mês de abril de 2020, segundo o Ministério da Saúde já contabilizava 558 mil casos. A solução mais lógica seria a erradicação do mosquito, contudo a possibilidade do país conseguir tal feito é impossível, segundo o biólogo Magno Botello.

Paralela a essa situação, existem as epidemias respiratórias sazonais, as chamadas “gripes”, que por terem se tornado “comuns” no cotidiano brasileiro, muitos indivíduos não dão a devida importância à prevenção da gripe e demais doenças sazonais. As vacinas, criadas para protegerem a população são vistas com maus olhares por uma parcela da sociedade, que sobre influência, na maioria dos casos, de fake news, não acreditam na eficácia das vacinas e duvidam de sua segurança. A falta de vacinação também abre espaço para que doenças as quais haviam sido erradicadas ou parcialmente controladas ressurjam, segundo a epidemiologista Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunização.

Diante disso, evidencia-se a necessidade de medidas para que qualquer tipo de epidemia seja melhor combatida no país. Nesse cenário, cabe ao Ministério da Saúde, organizar palestras, fortalecendo a educação ambiental da população, tanto em escolas quanto em espaços públicos dos municípios com epidemiologistas, médicos e demais profissionais que explicariam a importância das vacinas, o modo de combate contra demais doenças e sanariam possíveis dúvidas. Dessa forma, tendo um contato mais direto com os especialistas e com a informação, os cidadãos tomariam consciência e fariam, de fato, as ações preventivas necessárias, formando uma sociedade mais prudente.