Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 24/06/2020
A Peste Negra, ocorrida na Europa Medieval, é considerada a maior pandemia da história, sendo responsável pela morte de grande parte da população europeia da época. Destaca-se que essa doença foi intensificada pela falta de intervenções científicas de finalidade de amenização de seus impactos, haja vista o conhecimento relevante da período citado era dado pelo Clero que valorizava o estudo religioso em detrimento do científico. Dessemelhante a esse contexto, no cenário brasileiro verifica-se o conhecimento científico no enfrentamento de doenças; entretanto, observa-se a falta de recursos para difundir a ciência e para aplicar, efetivamente, as tecnologias desenvolvidas. Dessa maneira, é possível afirmar que o desfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) em conjunto à displicência com a ciência pode levar ao descontrole de epidemias no Brasil.
Em primeira instância, analisa-se que o descaso com o SUS e as ciências, especialmente médicas e biológicas, dificultam o combate a doenças. Diante disso, o Médico e pesquisador brasileiro Gastão Wagner, acredita que o desfinanciamento da educação tem impacto direto no insucesso do enfrentamento de moléstias. Mais precisamente, pode-se dizer que os recentes cortes de aproximadamente 12 mil bolsas de estudo divulgados pelo CAPES, e a diminuição de quase 1% no investimento em saúde pública divulgada pelo Conselho Nacional de Saúde, têm relações diretas que levam ao incompetente confronto de problemas de Saúde Pública.
Consoante a isso, é relevante evidenciar que a falta de recursos leva à dificuldade no combate de surtos. Nesse contexto, destaca-se a ineficiência do Governo Federal no enfrentamento da pandemia do COVID-19, uma vez que, de acordo com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil está em terceiro lugar no ranqueamento de países com mais afetados pela doença, registrando aproximadamente 55 mil mortos. Isto é, a falta de recursos fornecidos pela pesquisa, em conjunto com o descumprimento por parte do Governo Federal das medidas básicas de saúde exigidas pela OMS são fatores primários do desastre sanitário atual do Brasil.
Sob o exposto, constata-se que o insucesso no combate de epidemias tem relações diretas com a falta de disponibilização de recursos em saúde pública e pesquisa científica. Portanto, é fundamental que o Ministério da Saúde e da Educação recebam mais investimento, por parte do Governo Federal, para que tecnologias sejam desenvolvidas e o SUS possa aplicá-las; por meio de distribuição adequada de equipamentos médicos nas unidades de saúde, bem como do financiamento de bolsas de pesquisa. Assim sendo, epidemias serão devidamente controladas, como também pessoas sem acesso à medicina privada gozarão de seus direitos básicos de acesso à saúde.