Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 21/06/2020
A Revolução Sanitária de 1970 foi um marco histórico para a saúde pública brasileira, inclusive inspirou a constituição Federal de 1988 criar o Sistema Único de Saúde (SUS) que assegure o acesso à saúde pública como direito de todos os cidadãos. No entanto, vale dizer que, ainda uns dos maiores desafios da saúde pública remetem aos problemas outrora, ou seja, as epidemias da dengue, zika e chicungunha. Sabe-se que essas epidemias são causadas por mosquitos que se reproduzem em água parada.
É relevante abordar, primeiramente, que a grande parte das cidades brasileiras foram construídas sem planejamento urbano, sendo assim, não possuem tratamento de esgoto e saneamento básico. Cidades vizinhas de grandes cidades como a capital São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e outras, é comum detritos de pias e até esgoto serem despejados nas guias ou canais entre a calçada e a rua. Com isso, além de gerar outros problemas sanitários, é um foco de criação desses mosquitos. Sendo o Brasil um país continental de terceiro mundo é possível imaginar como o problema se agrava em regiões mais empobrecidas. Um outro fator de cunho urbanístico é a questão da drenagem da chuva nas megalópoles, ou seja, as cidades estão tornando-se mais impermeáveis com as construções de casas, prédios, shoppings, ruas e avenida, consequentemente gera graves problemas de enchentes contribuindo para formação de água acumulada nessas regiões.
Paralelo a isso, vale também ressaltar a questão do lixo. A grande parte dos municípios brasileiros não possuem locais apropriados para descartar seus resíduos como por exemplo pneus velhos, latas, telhas, e todos restos de materiais que de alguma maneira possa acumular água e ser um foco de transmissão dessas epidemias. Segundo fontes do jornal do Estado de São Paulo, no Norte do país o lixo contribui com 48,2% dos criadouros do mosquito, Nordeste 5,7%, Sudeste 25,7%, Centro-oeste 51,6% e o Sul 52,7%.
Dessa forma, pode-se perceber que a revolução sanitária de 1970 foi um grande avanço, mas falta equacionar os problemas das epidemias que estão ligadas ao processo histórico do nosso país ainda não resolvido, ou seja, falta de saneamento básico, lixo e a impermeabilização do solo nas grandes cidades. Políticas públicas municipais voltadas para que os espaços construídos tenham uma porcentagem de área permeável seria uma boa solução. Multas para pessoas e empresas que descartarem o lixo em local não autorizado. Além disso, canalização de esgotos em todas as cidades, já que os impostos são cobrados pelas prefeituras. Vale ressaltar que, os cidadãos devem ter consciência de seus deveres fazendo seu papel de colaborar com o poder público.