Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 30/06/2020

Em um dos contos do livro Urupês, o autor Monteiro Lobato, relata a História do Jeca Tatu, personagem que simboliza a situação do caipira brasileiro, abandonado pelos poderes públicos às doenças “O Jeca Tatu não é assim, ele está assim” , afirma o pré-modernista em um dos trechos do conto. É notório ressaltar que o caricato caipira caboclo de Monteiro Lobato tinha ancilostomíase - popularmente conhecido por amarelão- pois era avesso a hábitos de higiene e andava sempre descalço. Outrossim, após analise da obra do brasileiro é possível concluir que o maior desafio para a saúde pública brasileira em lidar com epidemias é a falta de instrução da população devido a negligência Estatal.

Em primeira análise, é visível que a falta de comunicação entre o Estado e a população é um grande empecilho no combate as epidemias no Brasil. Faz-se necessário lembrar do motim popular ocorrido em 1904, que ficou conhecido como Revolta da Vacina, onde a população foi a rua protestar contra a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola, imposta pelo governo do Rio de Janeiro. É de conhecimento geral que um dos principais motivos, da insatisfação popular com a medida tomada pelos governantes cariocas, foi a falta de conhecimento da população sobre o benefício da vacina devido a ausência de explicação por parde dos legisladores governistas os quais argumentavam que a vacinação era de inegável e imprescindível interesse para a saúde público.

Ademais é evidente o despreparo do Estado para lidar com as epidemias. Segundo Sérgio Buarque de Holanda, no livro raízes do Brasil, os portugueses tiveram um enorme desleixo na colonização, fazendo de forma desordenada como um semeador, em oposição aos Holandeses que agem como ladrilhadores.Outro fato que a desorganização na colonização, narrada por Sérgio Buarque, propícia é o conceito de necropolitica de  Achille Mbembe na qual o Estado escolhe, através de investimentos não homogêneos mas sim direcionados, quem vai viver e quem vai morrer, salvando partes do Brasil que condiz com seus interesses econômicos e deixando o resto a mercê das epidemias.

Faz premente portanto diligências para melhor combater as epidemias no Brasil. Contudo é conclusivo que a melhor forma de ajudar a saúde pública é por meio da conscientização das pessoas, logo o Ministério da Saúde, em parceria com as mídias digitais, devem investir em propagandas educativas -didática, através de desenhos animados, para que todos possam entender e seja mais atrativo ás crianças- as quais ilustram formas de se prevenir e proteger contra doenças, para que a população conscientizada possa lutar junto ao governo contra as epidemias, se afastando cada vez mais da distopia de Monteiro Lobato.