Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 19/06/2020
A sociedade pós-moderna padece diretamente dos impactos causados pelo aumento do desmatamento no Brasil, isso porque essa problemática favorece o avanço de vetores que causam doenças nos centros urbanos. A partir disso, é possível verificar que as epidemias brasileiras geram uma crise de saúde pública, seja pela perca do caráter preventivo do Sistema Único de Saúde (SUS), seja pela ausência de necessidades humanas básicas, como o saneamento básico.
O primeiro desafio que corrobora para a instalação de epidemias no Brasil é a dificuldade que o SUS encontra em realizar o seu trabalho preventivo sobre essas doenças. Posto que, as Estratégias de Saúde da Família, as quais são responsáveis pela atuação na atenção básica, abrangem áreas muito grandes, impossibilitando a cobertura completa do trabalho profilático daquela região. Dessa forma, observa-se que, segundo uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde, mais de quarenta por cento dos casos de dengue são originados pela falta de assistência básica do SUS, situação que acomete, principalmente, as populações ribeirinhas do Amazonas.
O segundo desafio que auxilia na manutenção dessas epidemias no cenário brasileiro é a ausência de um suporte estatal capaz de fornecer necessidades humanas básicas, como água encanada e saneamento básico. Nesse sentido, dados apresentados pelo Ministério da Saúde comprovaram que as populações expostas à falta de saneamento básico, possuem duas vezes mais chances de adquirir uma doença epidêmica. Portanto, a falta de infraestrutura das populações vulneráveis economicamente, associado com o aumento do desmatamento, facilitam a reprodução dos vetores que transmitem tanto a dengue como a leishmaniose.
Diante do exposto, é necessário que o Ministério da Saúde, com a ajuda das secretarias estaduais, financie mais equipes de Estratégias de Saúde da Família, nos municípios em que a atenção básica possui uma cobertura elevada da região, não conseguindo realizar seus atendimentos preventivos com efetividade. Essa intervenção deve acontecer com a fim de aumentar o caráter preventivo do SUS, o qual é responsável pelas medidas profiláticas contra as epidemias, principalmente da dengue instaurada na região Norte. Além disso, também é importante que o Ministério do Meio Ambiente, crie um Plano Nacional de Saneamento Básico capaz de abranger todos os indivíduos, que ainda no século XXI, não têm acesso a essa necessidade humana essencial. O intuito principal dessa intervenção é reduzir os riscos que os indivíduos menos favorecidos economicamente apresentam, em relação às epidemias, apenas por não serem privilegiados com água encanada e saneamento básico, o que, segundo a Constituição é um direito.