Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 20/06/2020
Antes de tudo, é preciso lembrar que o cenário epidêmico no Brasil é bastante longevo. Acontece que, com a chegada dos portugueses, da Europa, por volta do século XV, acabaram trazendo enfermidades ainda inexistentes no território brasileiro, por exemplo: a gripe e a varíola. Como resultado disso, vivenciamos até hoje diversas epidemias que assolam a população brasileira e acaba exigindo diversos empenhos dos serviços públicos na tentativa de solucioná-las.
Ao examinar questões como a falta de acesso ao saneamento básico, praticamente em todo o país, é notável que não há e não vai haver controle sobre essas epidemias. Pelo contrário, a tendência, em tal situação, é apenas o desenvolvimento dessas dificuldades. A varíola, por exemplo, no século XV, foi ocorrida justamente pela falta de saneamento básico. Hoje, meio milênio depois, percebe-se que não houve evolução alguma nos cuidados da saúde pública brasileira, já que, em 2017, 34,7% dos municípios do país registraram uma epidemia ou endemia relacionadas ao saneamento básico, segundo o Suplemento de Saneamento da Pesquisa de Informações Básicas Municipais - (IBGE). Tais dados afirmam que uma das principais causas é a desatenção e ineficácia do Governo em relação à introdução do saneamento básico por todo o país, principalmente nas regiões mais desfavorecidas, que são as que mais sofrem com isso.
Outro fator existente é a precariedade no Sistema Único de Saúde (SUS). É fato que o sistema, em tese, deveria solucionar tais problemas de saúde, contudo, a falta de investimento e grandes desvios de verbas, por exemplo, acabam que resultando em a maioria da população, nesse caso, em especial a mais pobre, o repúdio e a desaprovação às políticas de saúde pública no Brasil. Os dados mostram que o governo brasileiro investe 4,7% do PIB em saúde, índice muito inferior aos gastos do Canadá, França, Suíça e Reino Unido, onde os porcentuais de investimento variam de 7,6% a 9,0%. Contado isso ao detalhe de que no Brasil há cerca de 200 milhões de pessoas, chega a ser cômico.
Levando-se em conta o que foi observado, é preciso atribuir a responsabilidade de cumprimento do Governo Federal com o direcionamento de mais verbas aos serviços de saúde pública e uma apuração com maior atenção às verbas. Investir mais no sistema de saneamento básico, para que assim, controle ou até evite o alastramento de doenças epidêmicas. Convém de a população brasileira ter a devida consciência para a prevenção, da forma que os órgãos públicos de saúde indicam como mais adequados, para que com isso, todos fiquemos protegidos e saudáveis.