Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 20/06/2020
Com o advento da proliferação de varíola, no Rio de Janeiro nonocentista, a instituição da vacinação obrigatória foi concretizada no país àquela doença. Por conseguinte, a população revoltou-se contra enfermeiros e sanitaristas que vacinavam as pessoas na cidade, pois essa imunização ocorria de maneira forçada, momento histórico intitulado como Revolta da Vacina. Sob esse mesmo prisma, observa-se, na contemporaneidade, diversos desafios no combate à epidemias no Brasil. Desse modo, são vigentes condições como uma baixa adesão da população à medidas preventivas contra doenças e um preconceito histórico com enfermidades no país.
A priori, deve-se considerar os altos índices de sarampo no Brasil, patologia que possui vacina desde a década de 1960: 13,5 mil casos, apenas no ano de 2019, segundo o jornal G1. Esse cenário mostra que mesmo com a criação de programas e instituições que oferecem vacinações de forma gratuita no país, como o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Centro de Imunização Pro Matre Paulista, ainda há cidadãos que não aderem à vacinações, pois, consoante o Ministério da Saúde, 25,6% dos municípios não vacinaram toda população contra o sarampo. Dessarte, brasileiros são acometidos de doenças já erradicas em outros países- tal como o sarampo, que já foi eliminado de Portugal, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Ademais, vigoram-se preconceitos históricos na sociedade brasileira encima de patologias e, principalmente, enfermos. À vista disso, obras da Literatura mostram esse cenário, ao exemplo do livro “Quinas Borba”, de Machado de Assis, em que o personagem “Rubião” padece de diversos prejulgamentos quando desenvolve uma psicose, tão prejudicial para a nação. Destarte, urgem-se necessárias medidas que instruam a população acerca de moléstias e que objetivem diminuir o preconceito encima delas, visto que podem agravá-las, como ocorre na obra “Quincas Borba”.
Portanto, é indubitável que o Brasil padece de desafios no combate às doenças, panorama que deve ser revertido. Para isso, faz-se necessário que o Estado aja nas escolas públicas de todo o país, instituindo debates entre alunos e sanitaristas convidados, que podem ganhar uma folga nos seus trabalhos para realizares as conversas. Nesses debates devem ser tratados temas como grandes epidemias ao longo da história, à semelhança da epidemia da varíola ocorrida no Rio de Janeiro nonocentista, e medidas que poderiam ser utilizadas para combatê-las, dando destaque às vacinas. Além disso, livros que mostram como alguns brasileiros são tratados de forma negativa quando são acometidos de moléstias, situação presente na obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, poderiam ser trabalhados em sala de aula, objetivando uma diminuição de preconceitos.