Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 25/06/2020

É inegável o fato de que o Sistema Único de Saúde (SUS) surge no cenário brasileiro com uma proposta nobre: garantir atendimento médico gratuito de qualidade a todos os cidadãos. Também é visível que o SUS já conquistou posições importantes, como a de “sistema com maior plano de vacinação gratuito do mundo”, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Porém, na prática, há desafios na saúde pública, como o sucateamento dos hospitais públicos e a desinformação quanto aos métodos profiláticos,o que impedem o SUS de atingir completamente sua proposta, o que, consequentemente, afeta o modo em que o Brasil lida com os problemas de saúde, como as epidemias.

Sob tal cenário, de acordo com o médico oncologista Drauzio Varella, o SUS investe cerca de R$ 103 bilhões por ano e atende 75% da população brasileira, enquanto a saúde privada, que atende 25% da população, investe R$ 90,5 bilhões. Nessa conjuntura, é evidente como os investimentos no setor público não condizem com o percentual da população que usufrui desse atendimento, acarretando em postos de saúde e hospitais sem a devida infraestrutura. Dessa forma, com o sucateamento do SUS em razão dos baixos investimentos se comparado ao setor privado, é inegável que as classes de baixa renda, que geralmente são dependentes do atendimento médico gratuito, são as que mais correm o risco de morrer frente a uma epidemia, culminando em um atendimento médico desigual à população.

Ademais, o médico epidemiologista Eduard Massad ressalta que a educação é necessária no combate às epidemias, uma vez que ela é de suma importância para fazer a população entender quais serão as medidas profiláticas para cada doença. No entanto, a realidade brasileira está longe de viabilizar a educação como uma forma de controlar as epidemias, um exemplo desse descaso é como o movimento antivacina ganhou força nos últimos anos, acarretando o surgimento de novos surtos de doenças já erradicadas, como o sarampo. Diante disso, é evidente como tal movimento é prejudicial à saúde pública, uma vez que desestabiliza a imunização da população,corroborando a novas epidemias.

Logo, é indubitável que, na prática, o SUS não garante um bom atendimento médico gratuito, mesmo sendo aplaudido pela OMS. Assim, cabe às três esferas do governo -federal, estadual e municipal- aplicar maiores recursos financeiros, por meio da aprovação do Congresso Nacional às novas medidas orçamentárias, para que os centros públicos de saúde sejam devidamente estruturados, garantindo um atendimento democrático à população. Além disso, urge que o Ministério da Saúde e o da Educação, de maneira conjunta, promovam campanhas informativas quanto às medidas de prevenção e vacinação, para que assim a desinformação não promova epidemias graves ao cenário brasileiro.