Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 23/06/2020

O Iluminismo pregava o uso da razão, bem como uma luz, contra o Antigo Regime, e, desde o movimento, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa os desafios da saúde pública na contemporaneidade brasileira, relacionados às epidemias, verifica-se que o ideal iluminista é constatado apenas em teoria e não desejavelmente na prática, haja vista que a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela falta de responsabilidade governamental, seja pela negligência da própria população.

Em primeiro plano, é válido ressaltar o déficit de atenção constitucional como impulsionador do problema. Hodiernamente, ocupando a nona posição da economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de saúde eficiente. Entretanto, uma pesquisa feita pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que o país investe apenas 3% do seu PIB na vitalidade dos seus habitantes, quando deveria investir, no mínimo, 10%. Nesse sentido, entende-se o que os setores sociais, ao não agirem em prol de um bem comum, impedem o progresso nacional, consequentemente, contribuindo para a proliferação de surtos biológicos negativos no país.

Em segundo plano, evidencia-se que a propagação de doenças é resultado, também, da displicência populacional. Isso acontece devido ao pensamento irracional dos indivíduos em achar que são imbatíveis e nenhuma doença pode chegar a eles, tornando inerte o cuidado com a saúde. Tal fato é consequência da ausência de empatia influenciada pelo sentimento individualista, atestado na obra “Modernidade Líquida”, do filósofo polonês Zygmunt Bauman. A tese do escritor pode ser observada na realidade brasileira, associada ao egocentrismo da nação em relação aos cuidados escassos na retenção de doenças. A liquidez do mundo moderno, na qual as pessoas não se importam umas com as outras, faz-se notória, além do mais, influi sobre a questão do agravamento de enfermidades, tornando a saúde um desafio federal.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter os empecilhos apresentados. A fim de que o Brasil consiga lidar com possíveis epidemias, urge que o Tribunal de Contas da União direcione capital ao Ministério da Saúde que, por conseguinte, irá investir no Sistema Público de Saúde (SUS), tornando-o eficaz para que a população possa ser atendida de forma proveitosa, por meio da criação de mais unidades hospitalares e leitos emergenciais para mitigar o alastramento de doenças. Ademais, é fulcral que, mediante o aumento das verbas, o Estado, junto ao Ministério da Educação, torne a importância da empatia necessária na vida da massa coletiva, recorrendo a um meio de aprendizagem competente. Dessa maneira, o impasse será freado, consolidando a sociedade líquida.