Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 20/06/2020

São caracterizadas como epidemias doenças infecciosas de caráter periódico em dada região. No Brasil, as epidemias mais comuns que assolam o território nacional se devem ao vírus da dengue ou a algum de seus quatro subtipos. Atualmente, o debate é em torno de dois pontos centrais: a dificuldade de se preparar a saúde pública nacional para os efeitos de um evento recorrente de características locais, e, qual seria a ação primordial para que isso ocorresse de maneira prática e eficiente.

É importante abordar, primeiramente, que devido a extensão do país, epidemias como a da dengue, possuem características difusas em determinadas regiões. Uma pesquisa realizada pelo jornal Estadão evidenciou que enquanto no sul, o problema da dengue se deve em sua maioria por criadouros de mosquito em lixos, na região nordeste os criadouros ocorrem em depósitos destinados ao armazenamento de água no período de seca. Ou seja, a extensão continental do Brasil faz com que cada território tenha sua particularidade, exigindo do poder público uma campanha de prevenção que se atente a tais detalhes da mesma maneira que o SUS deve estar apto para lidar com as complicações dessa determinada doença independente de onde ela ocorra.

Sendo assim, a vigilância epidemiológica constante é primordial para que os órgãos governamentais responsáveis pela saúde pública estejam alertas e prontos para agir, caso necessário. Como em 2017, quando ocorreu um novo surto de febre amarela silvestre - doença causada por um dos subtipos do vírus da dengue - na região sudeste do país. Essa epidemia durou quase um ano, desde a identificação correta de qual doença estava afetando a população até a gestão de uma campanha de vacinação pelo Ministério da Saúde.

Conclui-se, portanto, que os desafios na saúde pública para lidar com as epidemias no Brasil - especialmente as causadas pelo vírus da dengue e seus subtipos - não se limitam ao tamanho territorial do país, porém, são agravados por esse fator. Cabe então, ao Ministério da Saúde, em parceria ao Ministério da Educação, o investimento em universidades públicas para que estas - como centros de pesquisas e ciências que são - criem programas de monitoramento nas cidades em que estão localizadas. Dessa maneira, esse programa irá atuar com a finalidade de identificar possíveis fatores de riscos de novos surtos e informar o Ministério da Saúde, que irá articular seus recursos destinando-os aos SUS da região que estará enfrentando a doença.