Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 28/06/2020

No filme “Ensaio sobre a cegueira”, inspirado no homônimo de José Saramago, uma cegueira branca se espalha pela cidade. Apenas uma mulher está imune a ela. Juntamente com a doença, a desinformação e o desespero se difundem rapidamente. Fora da ficção, as epidemias no Brasil muito se assemelham ao drama vivenciado no filme, já que a desinformação e a falta de preparo estrutural são comuns a ambos os universos, o ficcional e o real. Dessa forma, o desafio maior da saúde pública nacional é sanar os sintomas que acompanham e agravam as doenças epidêmicas no país.

Em primeira análise, a informação é um fator primordial no combate à doenças de fácil contágio; contudo, sua deficiência impede que as profilaxias necessárias entrem em vigor. Nesse sentido, cabe fazer um paralelo histórico com a Revolta da Vacina no início do século XX, na qual a desinformação dificultou a ação de combate às doenças epidêmicas daquele período. Infelizmente, na hodiernamente, movimentos como o Anti-vacina ainda propagam notícias que vão contra os estudos científicos, ocasionando, assim, uma menor adesão nas medidas profiláticas disponíveis. Desse modo, o acesso a informação segura é fulcral para combater as doenças infecciosas no país.

Além disso, assim como ocorre no “Ensaio sobre a cegueira”, a estrutura física das cidades brasileiras, ou nesse caso, a falta dela,  contribui significativamente na disseminação de doenças, principalmente em locais fora dos grandes centros urbanos. Nesse viés, o filósofo francês Pierre Levy afirma que toda nova tecnologia cria seus excluídos. Essa assertiva se confirma na realidade brasileira quando o cenário do saneamento básico, medida fulcral no combate à doenças advindas do esgoto e da água contaminada, é analisado. Assim, a desigualdade de acesso à medidas simples e profiláticas provoca situações epidêmicas sérias em locais menos privilegiados do planejamento urbano nacional.       Compreende-se, portanto, que o principal desafio da saúde pública no combate à epidemias no Brasil é eliminar os sintomas agravadores delas. Para tanto, o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com as grandes emissoras de televisão, deve criar um programa semanal com informações e respostas para as dúvidas mais comuns sobre as doenças epidêmicas no país, para que, dessa forma, a informação segura chegue a todos os lares. Esse programa deve se utilizar de uma linguagem didática, para instruir e quebrar mitos e desinformações. Ademais, as prefeituras devem buscar parcerias como empresas de construção para implementar o saneamento básico de forma ampla em todas as cidades. Com isso, epidemias como a descrita por José Saramago não mais terão lugar no Brasil.