Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 24/06/2020

Na obra ‘‘Ensaio sobre a cegueira’’, de José Saramago, para lidar com uma epidemia que vem tornando as pessoas cegas, o Estado isola os indivíduos contaminados em um manicômio. Visando somente o bem da parcela populacional saudável, os reclusos são colocados em um ambiente insalubre com péssimas condições higiênicas e má alimentação. Embora seja um livro de ficção, o mau trato com indivíduos adoecidos, principalmente os infectados com doenças de caráter transitório, é um fato da realidade hodierna, devido não somente a situação precária que se encontra o nosso Sistema Único de Saúde (SUS), mas também a falta de políticas públicas responsáveis por atenuar o problema.

Antes de tudo, é mister caracterizar o isolamento social em períodos de epidemia como uma questão de saúde pública necessária para que se evite uma proliferação ainda maior das enfermidades. Corrobora esse fato, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que confirma ser a melhor maneira de evitar a propagação de doenças epidêmicas. Ademais, é imprescindível que o Estado aja com bravura e imponha as medidas de controle necessárias, visando a saúde de todos os cidadãos, e não somente a parcela de privilegiados como é visto na literatura fictícia de Saramago.

Outrossim, também é importante ressaltar a precariedade que se encontra o SUS, tendo em vista a negligência estatal na concessão de subterfúgios para sua modernização, ficando assim, defasado e atrasado, com profissionais pouco experientes, falta de leitos e medicamentos, além de possuir um sistema para atender os pacientes que precisam de cuidados emergentes ineficaz. Desse modo, parafraseando o filósofo iluminista Rousseau, o qual afirma que a falta de autonomia dos cidadãos é conivente com o retrocesso de sua sociedade, fica evidente que, como o Estado não resolve essa problemática da saúde pública brasileira, é imprescindível que haja uma mobilização social que vise reivindicar esse direito inalienável, que deveria ser assegurado pela Constituição Federal de 1988.

Logo, nota-se evidente o despreparo que o Brasil possui para lidar com epidemias. Para alterar esse cenário é imperioso que, através das redes sociais, ONGs atuantes na área da saúde, com a ajuda de influenciadores digitais e em parceria com as instituições midiáticas, promovam atos de mobilização social, dando voz aos cidadãos brasileiros que dependem do SUS mas são diariamente negligenciados pelo Estado. Soma-se a isso, ainda, a necessidade do Governo, ao respeitar o corpo social e, ouvindo suas demandas, busque refinar a infraestrutura ou talvez até reformar nosso Sistema Único de Saúde, para que este, torne-se apto para enfrentar doenças epidêmicas sem que haja inúmeras dificuldades como infelizmente se vê hodiernamente. Assim, a vida não imitará a arte e com certeza não haverá o isolamento dos enfermos em um manicômio, mas em um ótimo espaço público.