Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 22/06/2020
No início do século XX, Oswaldo Cruz, diretor de saúde pública do Rio de Janeiro, enfrentava dificuldades para controlar as doenças regionais. Com isso, o médico impôs a vacinação obrigatória contra a varíola, o que não agradou parte da população. Assim, surgiu a Revolta da Vacina, movimento que reuniu a classe popular contra o autoritarismo como forma de combater os surtos das moléstias. Dessa forma, é fato que o Brasil sempre encontrou desafios para lidar com epidemias e, por isso, é necessário que existam debates acerca da importância do saneamento básico e da divulgação de dados pela mídia.
Em primeiro lugar, é importante lembrar que a falta de saneamento básico é um dos maiores problemas que resultam na proliferação de pragas. Sob essa ótica, cabe ressaltar a primeira epidemia de febre amarela que contaminou e matou centenas de brasileiros. Isso aconteceu, principalmente, pela falta de higiene nos grandes centros urbanos, que gerava um aumento na quantidade de mosquitos transmissores da doença. Nesse viés, é visível que áreas periféricas tendem a possuir mais casos de contaminados, pois não contam com sistemas regulares de coleta de lixo e esgoto encanado.
Em segundo lugar, é válido ressaltar a importância da divulgação de dados pelos meios de comunicação. Nesse contexto, a crise de meningite dos anos 70, por exemplo, omitiu informações da população por ter ocorrido durante os anos de chumbo – momento de maior repressão da Ditadura Militar –. Consequentemente, devido o controle da mídia, a epidemia se alastrou rapidamente pelo país, sem que a maior parte dos brasileiros soubesse sobre o acontecimento. Sendo assim, é nítido que os meios de comunicação ajudam no combate a epidemias, já que, por alcançarem quase toda população, podem alertar e divulgar informações necessárias para evitar o contágio.
Portanto, é incontestável que medidas precisam ser tomadas para que o país consiga enfrentar as epidemias futuras. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde e o Governo Federal criem projetos para aumentar o saneamento básico em áreas mais pobres, colocando serviços de coletas de lixo diariamente e fiscais da saúde para monitoramento mensal de cada região, para que exista um controle de lugares propícios para criação de vetores das principais doenças. Além disso, é necessário que o Ministério da Saúde divulgue dados atualizados pelo site oficial, divulgando formas de contágio, prevenção e número de infectados, para que a população fique ciente sobre as epidemias locais. Somente assim, os desafios para lidar com esses surtos serão resolvidos no Brasil.