Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 30/06/2020

Durante do século XIV, a Europa foi acometida por uma epidemia conhecida como peste negra, a qual dizimou mais de um terço da população européia. Isso aconteceu devido às más condições sanitárias dos meios urbanos na época, possibilitando a catástrofe com rapidez e em larga escala. Hodiernamente, pode-se observar que as epidemias ainda estão presentes mundialmente e configuram-se como um desafio para a saúde pública brasileira, isso se deve a fatores intrínsecos a uma sociedade urbanizada e com falta de acesso à informação.

Primeiramente, destaca-se a curva crescente de casos e doenças epidêmicas das últimas décadas, tais como a dengue, zika e chikungunya, todas transmitidas pelo mesmo vetor — o mosquito Aedes aegypti — que tem sido palco de diversas discussões no âmbito público. É fato que a propagação dessas doenças está diretamente relacionada com a questão sanitária, que é precária em diversas regiões brasileiras. Nas periferias esse fator se acentua, pois, sendo marginalizados, esses indivíduos não têm acesso às condições básicas como água encanada e rede de esgoto, propiciando o ambiente perfeito para o desenvolvimento do vetor, deixando-os mais vulneráveis a doença.

Por conseguinte, o acúmulo de pessoas nos centros urbanos reflete na superlotação do sistema único de saúde, o SUS, o que poderia ser evitado caso as pessoas fossem melhor conscientizadas. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer cita que “o homem toma os limites do seu campo de visão como os limites do mundo”, de maneira análoga, não é difícil compreender o problema da conscientização da sociedade brasileira — enquanto as pessoas deveriam ver métodos de como combater vetores que transmitem doenças elas estão expostas a grandes outdoors e propagandas de fast-food, o que deveria ser uma campanha ao combate de mosquitos, acaba sendo um incentivo a epidemias como a obesidade, que afeta cerca de 20% da população brasileira.

Destarte, haja vista que a presença de epidemias configura-se como um grande problema para a saúde pública e para a sociedade brasileira, faz-se necessário que certas atitudes sejam tomadas. Em primeiro lugar, cabe a Secretaria Nacional de Saneamento, sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento Regional, a responsabilidade pela elaboração de medidas que atentem-se a populações carentes e marginalizadas, objetivando resolver os problemas que as tornam mais suscetíveis a doença. Ademais, cabe também ao Ministério da Educação que crie políticas públicas de conscientização efetiva, por meio das quais as pessoas possam entender o foco causador das epidemias e evitá-los, agindo onde a doença começa, para que se possa evitar os efeitos que ela causa.