Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 23/06/2020

A Constituição Federal de 1988 reconhece a saúde como direito de todos e dever do Estado, com acesso universal e igualitário. Entretanto, o que percebemos no Brasil atualmente é a supervalorização do capital e a deplorável negligência governamental com a saúde pública, realidade ainda mais evidente diante de desafios como surtos e pandemias.

Em primeiro plano, é importante destacar que tal indiligência é fruto de uma mentalidade capitalista instaurada, que alicerça a realidade de centros de saúde sucateados pelo desvio do valor orçamentário. Dessa forma, uma vulnerabilidade para todos os brasileiros impossibilitados de custear um tratamento hospitalar na rede privada, uma vez que dependem exclusivamente dos serviços públicos interrompidos com a falta de suprimentos básicos, déficit gerado principalmente pela verba que foi desviada para satisfazer interesses pessoais de certos administradores.

Essa completa inversão de valores não vem apenas por parte dos representantes políticos, o dinheiro vem a frente da saúde até mesmo para grande parte da população, que com a busca incessante da produção deixa de lado cuidados imprescindíveis com o próprio corpo. Exemplo claro desse comportamento é a forma com que os brasileiros enfrentam a atual pandemia de Coronavírus, negligenciando o isolamento social alegando “Saúde se recupera mas o comércio não pode parar”. Assemelhando-se inclusive à revolta da vacina, onde muitas pessoas se opuseram à vacina e novamente outros interesses foram colocados a frente da saúde.

Em virtude dos fatos mencionados, fica evidente a inversão de valores gerada pelo capitalismo, onde a saúde é muitas vezes deixada em segundo plano. Para que tal problemática seja resolvida é imprescindível que a constituição seja plenamente respeitada e a saúde seja de vez um direito de todos. Para isso, é necessário que haja não só mais investimentos na saúde pública mas também  uma auditoria eficaz com prestação de contas, para que o dinheiro seja realmente revertido para beneficio da população.