Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 23/06/2020

Em 1904, um movimento popular tomou as ruas e praças públicas do Rio de Janeiro, também conhecido como Revolta da Vacina, esse motim defendia a ausência da vacinação contra a varíola. Assim, no mesmo ano, inúmeras pessoas se tornaram vítimas fatais da doença tanto por não se vacinarem quanto pela alta disseminação do vírus devido às precárias medidas de prevenção. Seguindo essa perspectiva, ainda hoje no Brasil, o país enfrenta enormes dificuldades diante às epidemias como, por exemplo, dengue e sarampo. Isso porque o sistema público de saúde precisa lidar com os desafios da falta de estrutura, investimentos escassos, ineficazes medidas de contenção, além dos movimentos sociais anti-vacinas, sendo, portanto, necessário debater essa temática.

Em primeiro plano é importante destacar que, o sistema público de saúde vigente no Brasil, também denominado como SUS, foi criado a partir da Constituição de 1988 com o objetivo de garantir saúde à todos. Nesse âmbito, tal sistema foi inclusive reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como promissor, devido ao tratamento de baixos custos contra HIV - AIDS proporcionado aos pacientes brasileiros. No entanto, esse setor se mostra cada vez menos eficiente frente às demandas de atendimento por causa das epidemias que atingem o país. Tal fato acontece em razão da ausência de  hospitais, pronto atendimentos, além da falta de profissionais médicos, enfermeiros e técnicos desse sistema que, por sua vez, se concentram em grandes centros urbanos e no setor privado.

Além do mais, de acordo com o portal de notícias O Globo, só nas primeiras quatorze semanas do ano de 2020, mais de 500 mil pessoas foram infectadas pelo vírus da dengue. Como consequência, o SUS apresenta sua capacidade saturada em razão, muitas vezes, da ineficácia das ações preventivas, pois doenças como a dengue podem ser evitadas seguindo medidas de contenção, como cuidados e limpeza. Outro exemplo a ser citado consiste no sarampo, uma doença há muitos anos erradicada do país que tem sido motivo de altos números de infectados novamente. Isso decorre da grande parcela população não vacinada contra a doença, motivada por grupos sociais anti-vacinas que não acreditam no método preventivo.

Assim, cabe ao Ministério da Saúde, ao Ministério da Educação e às Agências de Vigilância Sanitária, criarem e aplicarem políticas de controle e fiscalização, como leis que obriguem à sociedade a seguir as medidas de prevenção como, por exemplo, vacinas, contra doenças epidêmicas. Ainda, faz parte da responsabilidade do Estado investir na saúde pública por meio da construção de novos hospitais, compra de aparelhos e materiais de saúde, além de aplicar medidas de incentivo aos profissionais da área para ocuparem locais não tão populosos, garantindo a todos os direitos previstos na Constituição.