Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 30/06/2020

Em “A Peste”, livro escrito por Albert Camus, a cidade de Orã, na Argélia, é atingida por uma epidemia. As consequências do evento são retratadas a partir do início, passando pelo ápice e chegando ao fim do surto, após longos dez meses. Por mais que a obra date de 1947, o século XXI ainda apresenta cenários epidêmicos que trazem desafios à saúde pública do Brasil e a sua população.

Primeiramente, tais desafios partem principalmente da precariedade do sistema de saúde pública brasileiro, que, por sua vez, enfrenta dificuldades ainda maiores devido à má qualidade do sistema de saneamento básico no país. Isto é, a falta de acesso por parte de muitos cidadãos ao esgoto tratado, por exemplo, expõe a população à contaminação de água e alimentos, disseminando doenças pelo Brasil. O sistema público de saúde então acaba fragilizado pelo excesso de casos que poderiam ter sido evitados aderindo a higiene sanitária como profilaxia.

Além disso, a ausência de informações sobre a prevenção de doenças faz com que lidar com epidemias se torne ainda mais difícil. A inexistência de vacinas para algumas enfermidades é mais um obstáculo. Em 2020, o país se depara com a necessidade de combater o corona vírus, facilmente transmissível. Ainda assim, segundo o Estadão, em maio, a média de isolamento social, mesmo em período de quarentena, não passou de 50%. Parafraseando o teólogo francês Jacques Bossuet, a saúde depende mais das precauções que dos médicos. A partir dessa perspectiva, é possível compreender que lidar com os desafios causados por epidemias consiste principalmente em preveni-las. Por conseguinte, a fim de lidar com epidemias no Brasil, cabe ao Estado o maior investimento no sistema de saneamento básico no país por meio da destinação de verbas.

Cabe também à mídia, à família e à escola, como fatores influentes de formação, incentivar a cultura de prevenção de doenças por meio da conscientização dos indivíduos. Assim, cenários como o de “A Peste” serão cada vez menos frequentes.