Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 30/06/2020

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa no campo hodierno é o oposto do que o autor prega, uma vez que a dificuldade da saúde pública para lidar com epidemias no Brasil atrapalha a concretização dos planos de more. Esse cenário antagônico é fruto tanto do descaso governamental nessa esfera, quanto da lacuna educacional vigente.

A princípio, é fulcral pontuar que a permanência de epidemias deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de leis que tornem a vacinação obrigatória, posto que muitas epidemias têm vacina eficaz, mas persistem, tal como a Febre Amarela. Nesse contexto, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, contudo, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, infelizmente, muitos indivíduos não se vacinam, não vacinam os filhos, colocando suas vidas e de outros em riscos. Desse modo, faz- se mister a reformulação dessa inaceitável postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperioso ressaltar o déficit educacional no país como promotor dessa problemática. Contudo, de acordo com o censo do IBGE de 2018 apenas 47 % da população acima de 25 anos terminou a ensino básico obrigatório. Partindo desse pressuposto, a educação, além de ferramenta de informação, permite que os indivíduos acendam socialmente e, dessa forma, possam ter acesso a serviços essenciais para o combate às epidemias, como saneamento básico e alimentação de qualidade. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a deficiência no setor educacional contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Em suma, é necessário solucionar essa problemática para o pleno funcionamento social. À vista disso, o Ministério da Economia deve direcionar capital para a esfera educativa que será convertido em oficinas voltadas para debates, vacinação, dinâmicas que conscientizem os alunos e os pais. Isso deve ser feito por meio da criação de uma junta em cada Estado, com a presença de infectologistas, biólogos e pediatras. Além disso, a Câmara legislativa deve aprovar uma lei que torne a vacinação obrigatória. Espera-se, com isso, que governo e população trabalhem juntos no combate a epidemias que acometem o Brasil e, assim, a coletividade alcançará a Utopia de More.