Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 25/06/2020
O histórico de epidemias no Brasil não é recente. No início do século XX, a varíola, a peste bubônica e a febre amarela contaminaram grande parte da população. As medidas para combatê-las foram tomadas de forma desorganizada e autoritária, gerando a insatisfação da população e causando a rebelião conhecida como Revolta da Vacina. Atualmente, a medicina e a ciência já tiveram diversos avanços, no entanto as epidemias continuam sendo um desafio, pois a falta de informação da população acarreta na existência, ainda hoje, de doenças que já poderiam ter sido erradicadas.
Em primeiro lugar, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacinação é uma das formas mais eficientes de prevenir doenças, evitando de 2 a 3 milhões de mortes por ano. No Brasil, a febre amarela e o sarampo, que são doenças muito graves, têm como principal ferramenta de prevenção a vacinação, oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, o crescimento do movimento antivacina, incluído no relatório da OMS sobre os dez maiores riscos à saúde global, é um grande obstáculo ao combate dessas doenças, já que as pessoas não vacinadas tornam-se suscetíveis a contraí-las e propagá-las.
Ademais, outro desafio da saúde pública é o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, febre amarela urbana, chikungunya e zika, doenças com um número alto de casos no Brasil. A principal medida de proteção contra essas doenças é a eliminação de seus criadouros, sobretudo nos armazenamentos de água, em depósitos domiciliares e no lixo. Porém, mesmo que campanhas de conscientização sejam constantemente realizadas no país, muitas pessoas ainda não cuidam da água parada em seus quintais. Além disso, outra epidemia mais recente é a obesidade. Suas causas são o sedentarismo e a grande disponibilidade de alimentos com alto teor de gordura e açúcar. As pessoas acima do peso têm mais chances de contraírem doenças cardiovasculares, diabetes, entre outros. E com o envelhecimento da população, o aumento de números dessas doenças é um problema para o sistema de saúde brasileiro.
Em suma, o controle das epidemias depende em grande parte da população. Portanto, as pessoas precisam ser conscientizadas, por meio da realização de mais campanhas informativas. Contudo, a principal ação a ser tomada pelo Estado é proporcionar uma educação de qualidade para que todas pessoas aprendam verdadeiramente a indispensabilidade das vacinas, a importância das medidas de proteção e prevenção, como a eliminação dos criadouros de mosquito da dengue, e a necessidade de se ter uma vida saudável. Somente dessa forma as epidemias podem ser efetivamente enfrentadas.