Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 25/06/2020

A importância da ciência no combate às epidemias

Do terraplanismo aos anti-vacinas, a negação à ciência tem sido amplamente disseminada primordialmente na internet nos dias atuais tanto por figuras públicas como pela população em consequência de diversos fatores políticos e econômicos vigentes no Brasil, assim que, além da precarização do sistema de saúde e das políticas públicas, é um forte empecilho à profilaxia de epidemias no país.

Nesse cenário, é possível retomar os períodos entre os séculos XII e XIX nos quais perdurou a Inquisição, de modo que aqueles que elaborassem teses buscando o avanço científico e a alteração da visão teocêntrica vigorante, eram condenados à morte, tal como Giordano Bruno. Analogamente, não há tais condenações físicas atualmente, mas decerto, forte aversão ideológica àqueles que buscam respostas na ciência para o combate à doenças, tais como o sarampo e o COVID-19.

Imediatamente no ano de 2020, quando iniciou-se a disseminação global do coronavírus, vimos os esforços coletivos de cada país e de diferentes formas de realização da implantação de medidas protetivas contra o novo vírus, a exemplo da China, quando a mesma era o epicentro da pandemia, declarou quarentena e total isolamento da população, a construção de novos hospitais e testes em massa para a contenção da epidemia, com uma resposta positiva após alguns meses de poucos ou nenhum novo caso da doença no território, possibilitando a reabertura gradual dos espaços comerciais. Em contrapartida, o Brasil realizou poucos testes na população não havendo dimensão real do número de infectados com os leitos de hospitais quase em sua totalidade ocupados e os números de mortos aumentando a cada dia mais, também não realizando medidas protetivas e mesmo assim, abrindo o comércio em vários estados.

Por outras palavras, é de suma importância a atuação de três poderes no enfrentamento as epidemias no Brasil, sendo eles, primeiramente o Estado na implantação de aulas públicas junto as políticas existentes para a construção de conhecimento na população no tocante à profilaxia de doenças; em segundo, ao corpo civil cabe a responsabilidade de obedecer as medidas colocadas pelo governo, tal como o isolamento social e campanhas de vacinação; e por último, os meios midiáticos de comunicação devem redigir informações e campanhas nos meios virtuais à fim de combater as fake news que pregam o anti-cientificismo. É de salientar que apenas assim será possível que a sociedade lide com epidemias de maneira segura e eficaz para que a ciência continue avançando e proporcionando cada vez mais profilaxias.