Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 26/06/2020
O histórico de epidemias do Brasil surge com a vinda dos portugueses, tendo-se a varíola como a primeira relatada. Não obstante, os fatores climáticos e sociais potencializam o surgimento dessas manifestações coletivas no país. Todavia, apesar de experiente, a nação brasileira ainda enfrenta diversos óbices frente a estas situações. Desse modo a obra “A Peste”, de Camus, discorre a respeito dos desafios em meio a epidemias e da importância do acesso à saúde. Desse modo, a trama serve como um gancho para abordar sobre a situação do sistema brasileiro, a partir da corroboração da dicotomia existente entre deveres da população e do Estado em que ambos deixam a desejar.
Consoante a constituição cidadã, a saúde é dever do Estado, conferindo a esse também a responsabilidade pela tomada de ações defronte a grandes problemas nacionais. Destarte, as autoridades vêm admitindo medidas contestáveis, de modo a priorizar a economia em detrimento de seus cidadãos. Como tal, tem-se o exemplo da atual postura do Governo frente à pandemia do coronavírus, que tardou ao iniciar a quarentena e realizou uma reabertura comercial precoce, temendo perdas econômicas. Este exemplo de postura de lentidão e insuficiência não se apresenta como único e nem como primeiro e, tende a potencializar os efeitos de uma epidemia quando somadas ao descaso com o sistema de saúde pública.
Acresça-se, ainda, que muitos brasileiros ao passo que não têm acesso a informes elucidativos que promovam uma abordagem acerca dos meios e da necessidade de prevenção, possuem acesso a uma enorme rede de informações que disponibiliza inúmeras fake news. Outrossim, a desinformação popular resulta em atitudes que prejudicam o controle e resolução de problemas de saúde, visto que geram descomprometimento e desvalorização do próprio sistema. Exemplificativamente, tem-se o movimento antivacina, que ganhou credibilidade nos últimos anos e influenciou inúmeras famílias a não vacinarem os filhos, o que culminou no reaparecimento de doenças como sarampo e febre amarela que tiveram surtos por todo o país e possuem potencial para se tornarem algo maior.
Impende-se, portanto, que ações para dirimir esses impasses sejam tomadas. Cumpre ao Governo Federal, destinar maior verba para investimento no setor da saúde. Ademais, cabe ao Legislativo, a criação de uma lei que torne a vacina obrigatória, fornecendo gratuitamente à população local e imigrantes, de modo a evitar o reaparecimento de doenças erradicadas. Para além, cabe às escolas a formação e informação, de toda a população local, da necessidade de adoção de medidas preventivas, através de gibis, palestras gratuitas, peças de teatro, etc. Desse modo o Brasil estará mais preparado para enfrentar epidemias e evitará perdas desnecessárias como no caso da obra “A Peste”.