Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 30/06/2020

Ocorrida durante o reinado de Justiniano I, a Praga de Justiniano foi responsável pela morte de milhões de pessoas no mundo mediterrâneo. Na atualidade, apesar dos inúmeros avanços medicinais, os órgãos públicas de saúde ainda enfrentam inúmeras dificuldades no controle de epidemias – no que tange à realidade brasileira, é pertinente a discussão acerca dos desafios atrelados ao seu controle no território, tendo em vista a influência da negligência estatal e a problemática da falta de debate popular.   É preciso pontuar, primeiramente, a indiferença do Estado para com a saúde pública. Promulgada em 1988, a Constituição brasileira estabelece a saúde como direito inerente a todo cidadão. No entanto, apesar da existência de sistemas públicos de saúde, a escassez de investimentos por parte do Estado em tais instituições é um fator limitante para o controle efetivo de doenças epidêmicas – com o baixo investimento, a ação da saúde pública é defasada em detrimento de problemas como a superlotação e a falta de recursos, e configurando, portanto, uma grave questão a ser resolvida.         Concomitantemente a isso, a escassez de debate também configura um desafio a ser perpassado. Platão, filósofo ateniense, defende em seus estudos a importância do aprendizado para a mudança de posturas. Todavia, contrariando a premissa do filósofo, o debate preventivo na atualidade é depreciado, e a conscientização popular só é priorizada durante períodos epidêmicos. Isso pode ser observado, por exemplo, por meio da ausência de plataformas públicas de discussão sobre formas de controle de doenças como a dengue e a chikungunya, uma questão que, devido ao desconhecimento popular, sobrecarrega ainda mais as redes públicas em estado de calamidade, sendo um problema de discussão urgente.                                                                                                                               Infere-se, portanto, a necessidade do debate a respeito da atuação da rede pública no controle de epidemias no Brasil. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Saúde a elaboração de medidas visando uma atuação efetiva da rede pública no controle de epidemias. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio da criação de projetos sociais e plataformas digitais de conscientização popular acerca da importância da prevenção contra doenças epidêmicas, com a finalidade de democratizar a informação e alertar a população brasileira como um todo. Dessa maneira, o direito constitucional será efetivamente garantido, e a saúde pública brasileira terá seu papel plenamente efetuado.