Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 29/06/2020
Consoante a Constituição Cidadã de 1988, no artigo 196, a saúde é um direito de todos e o Estado deve assegurar serviços de qualidade. Entretanto, o cenário epidêmico do país mostra esse direito não é garantido na prática, pois há um retorno de casos de doenças anteriormente minimizadas, como o sarampo em 2018 - conforme a BBC Brasil. Diante disso, a falta de conhecimento acerca do assunto e o acesso restrito ao saneamento básico são desafios que urgem serem enfrentados pela nação.
Em primeira instância, a escassez de uma abordagem franca sobre o combate de uma epidemia colabora para a resistência dos próprios cidadãos. Nesse sentido, a Revolta da Vacina, no começo do século XX, por exemplo, ocorreu devido à obrigatoriedade da vacinação sem o repasse de informações básicas e necessárias a respeito das formas de contágio e prevenção da varíola para a população humilde. Hodiernamente, para que a história não se repita, é imprescindível uma intensificação de investimentos governamentais destinados às campanhas de conscientização.
Convém ressaltar, também, que os sustos epidemiológicos se perpetuam porque quase a metade da população nacional não tem acesso ao saneamento básico. Segundo levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil, cerca de 100 milhões de brasileiros não possuem coleta de esgoto e as regiões Norte e Nordeste apresentam os piores índices. Dessa forma, o contágio de diversas enfermidades é ampliado e dificulta o combate visto que essa precariedade faz parte do cotidiano dos cidadãos. Assim, é mister que o Estado universalize melhorias sanitárias.
Em suma, é indubitável que as epidemias no Brasil sejam atenuadas para que o direito constitucional possa ser usufruído. Portanto, o Ministério da Saúde, em parceria com as grandes mídias - principais formadoras de opiniões -, deve propagar informações claras e didáticas, por meio de vídeos e imagens exibidas na televisão e redes sociais do governo, a fim de disseminar conhecimento para obter a adesão popular na profilaxia de doenças. Ademais, cabe ao Ministério da Fazenda repassar mais verba´monetária ao Ministério das Cidades, para a construção de infraestrutura de limpeza urbana, principalmente em regiões periféricas. Somente assim, o cenário epidêmico do país será finalmente erradicado.