Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 30/06/2020
Na obra “Ensaio sobre a Cegueira”, do autor português José Saramago, é narrada a história de uma epidemia de cegueira branca, a qual se espalha por uma cidade e causa um grande colapso na vida das pessoas, fato que compromete as estruturas sociais. Hodiernamente, não longe da ficção literária, percebem-se aspectos semelhantes no que tange aos desafios na saúde pública — sobretudo no enfrentamento de epidemias — visto que a sociedade brasileira parece não enxergar os impactos nocivos desse problema. Assim, seja pelo comportamento coletivo, seja pelo individualismo, esse tema é uma grave questão social que precisa ser resolvida.
Em primeiro plano, deve-se pontuar que o comportamento coletivo está entre as causas da problemática. Segundo Émile Durkheim, sociólogo francês, o fato social consiste em instrumentos sociais e culturais que determinam as maneiras de agir, pensar e sentir na vida de um indivíduo, obrigando-o a adaptar-se às regras da sociedade. Sob essa égide, verifica-se que há, na atualidade, uma normalização da negligência de atitudes profiláticas, ou seja, uma parcela da população considera normal a falta de cuidados indispensáveis para o controle de doenças — bem como de epidemias. Dessa forma, percebe-se que o fato social, como maneira coletiva de pensar, corrobora o entrave abordado e contribui para sua consolidação.
Ademais, o individualismo também é responsável por essa questão que persiste no Brasil. De acordo com o pensamento de Auguste Comte, filósofo francês, o altruísmo é a inclinação de natureza instintiva que incita o ser humano á preocupação com o outro. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o pensador prega, uma vez que o descaso de certos cidadãos com o controle de doenças epidêmicas demonstra a falta de empatia diante do imbróglio. Sendo assim, nota-se que ações individualistas contribuem, concomitantemente, para a persistência do impasse na atualidade.
Diante dos fatores sociais supracitados, faz-se necessário, portanto, que sejam tomadas ações para solucionar esse quadro. Posto isso, cabe às mídias televisivas — como formadoras de opinião pública — veicular, em horário nobre, campanhas elucidativas do controle de epidemias, por meio de propagandas transmitidas nas principais emissoras de televisão do país, com o objetivo de mitigar as questões de natureza social que perpetuam o empecilho em questão. Assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos da vicissitude abordada e a sociedade alcançará a cura para a cegueira presente na obra de Saramago.