Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 01/07/2020

O advento do Iluminismo no continente europeu, a partir do século XVIII, trouxe à tona o entendimento de que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa os desafios e impasses da saúde pública - especialmente no que se refere ao combate às epidemias - no Brasil, contemporaneamente, verifica-se que esse ideal iluminista é corroborado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste inerentemente ligada à realidade do país, seja pelo lento engajamento estatal, seja pela precária educação ofertada em todo o território nacional. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento social. Em primeira análise, é evidente que a atuação governamental frente aos inúmeros casos de epidemia já registrados na história do país, sempre foram vagarosos e tardios. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que o pífio engajamento do Estado no que concerne à inibição de doenças contagiosas rompe essa harmonia, haja vista que suas respostas e ações são aplicadas somente após ocorrer uma crise sanitária em larga escala e sob pressão da opinião pública, repercutida nos meios de comunicação de cada época. Dessa forma, com uma deficiência nos mecanismos de profilaxia das autoridades públicas, torna-se inevitável o alastramento de arboviroses e zoonoses em toda a extensão brasileira, configurando um panorama de saúde antagônico ao proposto pela Constituição Brasileira de 1988, o qual enfatiza a saúde como um direito de todos os cidadãos. Ademais, é válido ressaltar, também, como a precariedade na educação ofertada no país pode fomentar o surgimento de perspectivas deturpadas acerca dos mecanismos profiláticos oferecidos pelo sistema de saúde pública. Nos últimos anos, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, casos de febre amarela e sarampo – doenças até então erradicadas do território nacional – têm voltado a surgir na popubrasileira. Isso ocorre, sobretudo, em virtude da ausência de vacinação em massa, respaldada pelos nocivos movimentos antivacinas. Tais mobilizações são extremamente alarmantes, uma vez que o risco de infecção por doenças epidêmicas mortais não se limita somente aos filhos de pais complacentes com essa concepção, mas se abrange também as crianças impossibilitadas de receber vacina por imunocomprometimento ou por razões distintas. Desse modo, parte significativa da sociedade torna-se vulnerável e desprotegida por ideologias equivocadas de um grupo completamente desinformado e pouco esclarecido. Verifica-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de suprimir as crises sanitárias enfrentadas pela comunidade. Para que isso ocorra, é imperioso que o Ministério da Saúde, por meio do subsídio de verbas governamentais, promova uma reformulação no quadro de agentes atuantes no combate às epidemias do país. Tal mudança pode ser efetivada com a troca de setores inoperantes por núcleos eficazes e competentes, tanto no enfrentamento das doenças, quanto na disponibilidade de cobertura vacinal abrangente para todo o território brasileiro. Feito isso, o meio social tornar-se-á menos suscetível a reintrodução de doenças contagiosas e poderá desfrutar de uma realidade idealizada análoga à sociedade preconizada pelos filósofos iluministas franceses, do século XVIII.