Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 30/06/2020

Desde que foi colonizado pelos portugueses no século XVI, o Brasil enfrentou várias epidemias em decorrência, principalmente, da migração europeia, do tráfico negreiro e do desmatamento. Hodiernamente, apesar do desenvolvimento da medicina, o cenário epidêmico ainda configura um desafio para a saúde pública devido a desconfiança da população nos serviços de saúde e a falta de investimento na prevenção dessas doenças.

Primeiramente, a confiança representa um elemento essencial para que a sociedade acredite nos serviços de saúde e siga as recomendações dos profissionais, sobretudo, a respeito da vacinação, tratamento e formas de prevenção. Contudo, a saúde pública é prejudicada pela disseminação das denominadas “fake news” nas mídias sociais, bem como por uma crescente descrença em todas as instituições públicas. Como exemplo, há o movimento anti-vacinação, que tem sido um fator significativo no aumento de mortes por doenças que eram consideradas erradicadas em solo nacional, tal qual o sarampo.

Ademais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), há um maior gasto em resposta e surtos de doenças do que investimento na preparação de seu enfrentamento e prevenção. No Brasil, a negligência estatal em não destinar maiores recursos para a resolução dessa problemática, culmina na eclosão de patologias vinculadas, especialmente, a condições socioeconômicas e educativas. O precário sistema de saneamento básico é um exemplo notável dessa displicência, visto que 48% dos brasileiros não possuem coleta de esgoto, segundo o Instituto Trata Brasil.

Pelo exposto, infere-se que as epidemias representam um desafio para a saúde pública brasileira. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, investir em campanhas publicitárias nas grandes mídias e redes sociais, com a finalidade de informar a população acerca da importância da vacinação e de formas de prevenção, bem como destinar maiores verbas para a atenção primária à saúde, de modo a fortalecer a relação de confiança entre paciente e profissional de saúde. Além disso, é primordial, a ampliação do sistema de saneamento básico em todo o território, visando evitar a proliferação de enfermidades. Com essas medidas, espera-se obter uma maior integração entre o corpo social e os serviços de saúde para se combater de maneira efetiva as epidemias.