Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 30/06/2020
A rápida disseminação do coronavírus tomou o mundo de surpresa, especialmente o Brasil. O fato do país ser o segundo maior epicentro do coronavírus à beira de 60 mil mortes registradas gera grandes reflexões necessárias sobre como conter epidemias nacionais, abrangendo desde as transmissíveis às individuais.
Primeiramente, no âmbito de doenças transmissíveis pelo mosquito aedes aegypti, o método mais eficaz de controle é a vacinação. É imprescindível que o Estado introduza todas as vacinas existentes no calendário oficial de imunização desde a infância, para, dessa forma, disponibilizar a cobertura universal para todas as classes sociais e gerar uma resistência geracional às doenças. Ao mesmo tempo, de modo a garantir o cumprimento do calendário de vacinação por parte de todos os cidadãos, o governo necessita criar uma lei de vacinação obrigatória a todos, com fortes multas no caso de violação. É essencial que o governo fiscalize essa lei e, adicionalmente, mantenha grupos de inspeção em busca da formação acidental de mosquitos transmissores em armazenamentos de água, depósitos domiciliares e lixo.
Quanto à crescente ameaça de obesidade em grande parte da população, que não deixa de se categorizar como uma epidemia, o poder legislativo deve gerar leis que restrinjam a quantidade de açúcar nos alimentos industrializados. A fim de prevenir o vício em açúcar desde a infância, é indispensável que o governo proíba propagandas de alimentos obesogênicos em canais infantis e promova uma reforma profunda sobre a atual composição de merendas escolares. Ademais, seria interessante se governos municipais se encarregassem de redistribuir hortaliças e frutas que sobrarem em mercados para a população de baixa renda, pois garantiriam seu acesso à alimentação saudável.
Por fim, o mais importante meio de precaução de epidemias é a educação. É de alta importância que haja um combate constante aos movimentos antivacina. Assim, é preciso que informações de conscientização sobre como lidar com doenças transmissíveis por insetos sejam interiorizadas por meio da inserção de classes específicas voltadas a esse assunto no currículo escolar. Além disso, faz-se útil que a população geral tenha conhecimento sobre o aporte calórico mínimo infantil para respeitá-lo. Para mais de incorporar essas informações no currículo educacional, o governo deve também disponibilizá-las na internet de maneira acessível, como por meio de receitas culinárias e aplicativos sobre os hábitos dos insetos transmissores de doenças. É urgente que esses métodos de prevenção sejam adotados no Brasil, pois previnem uma futura sobrecarga no SUS causadas por obesidade na velhice em conjunto com uma alta incidência de doenças transmissíveis que poderiam já ter sido erradicadas.