Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 29/06/2020

Ao estudar as transformações termodinâmicas, o físico francês Sadi Carnot concluiu que a energia térmica degradada não pode voltar a ser mecânica sem que algum fator externo aja sobre ela, conceito que, posteriormente, seria denominado entropia, grandeza que mensura o aumento natural do grau de desordem de um sistema. De maneira análoga, ao aplicar esse conceito físico à sociologia, percebe-se que a questão das epidemias brasileiras se tratam de problemas entrópicos, uma vez que naturalmente tendem à desordem, a menos que o Estado e a sociedade intervenham para ameniza-lo. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária, torna-se fundamental analisar as

Em primeiro lugar, é fundamental pontuar que a ineficácia no combate às epidemias deriva da baixa atuação do setor governamental no que concerne à criação de mecanismos que coíbam a transmissão de doenças. Segundo o filósofo Thomar Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem estar da população; entretanto, isso não ocorre no Brasil, pois devido à falta de atuação das autoridades, muitos proprietários permitem o acúmulo de água para a proliferação de mosquitos transmissores de vírus, sem sofrer a devida punição, o que é inaceitável.

Outrossim, cabe destacar a impossibilidade de vigiar todas as propriedades como impulsionadora do problema. Nesse sentido, de acordo com o jurista Jeremy Bentham, o “panóptico” seria uma penitenciária  ideal, caracterizada pela vigilância total dos prisioneiros a partir de um único observador, que tem visão de todos os presos, mas não pode ser visto por eles. Analogamente, seria ideal que a sociedade vigiasse os indivíduos, pois ao aumentar as políticas de denúncias, as pessoas tenderão a adotar melhores medidas de combate ao mosquito, uma vez que passarão a temer as punições advindas da negligência em relação ao tema. Portanto, é extremamente importante a criação de novas políticas que recompensem aqueles que denunciam locais onde há focos de mosquitos.

Torna-se evidente, portanto, que ainda há diversos entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. logo, utilizando a ideia de Baruch Espinoza de que ’tudo no universo possui uma causa e um efeito correspondente", o Congresso Nacional deve criar um programa que ofereça recompensas para as pessoas que realizarem denúncias válidas de locais onde existem possíveis focos de contaminação pelos mosquitos. Entretanto, a fim de evitar discórdias entre o denunciante e o denunciado, o Ministério Público deve garantir total anonimato àquele que realizou a queixa e as recompensas deverão ser aplicadas através da restituição do imposto de renda, evitando profundos gastos da União. Ao tomar tais medidas, a sociedade dará um grande passo em direção ao combate das epidemias.