Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 29/06/2020
A série televisiva “Sob Pressão” aborda a problemática situação dos serviços de saúde de um hospital público no Rio de Janeiro. Fora da ficção, no contexto hodierno da sociedade brasileira, esse drama na saúde é observado em muitos hospitais públicos, referente aos desafios para enfrentar as epidemias, motivado, principalmente, tanto pela pela deficitária atuação midiática quanto pela negligência estatal.
A princípio, é notória a escassa ação midiática no que concerne à criação e à divulgação de campanhas preventivas. Nessa perspectiva, é de grande valia citar o 1° parágrafo do Artigo 37 da Constituição Federal de 1988, o qual estabeleceu a criação da Publicidade de Utilidade Pública, relacionada à necessidade da divulgação de campanhas com caráter educativo, informativo ou de orientação social. Não obstante, muitas plataformas midiáticas utilizam a publicidade erroneamente, uma vez que a existência de campanhas que abordem sobre a importância da adoção de medidas preventivas e higiênicas para combater as doenças epidêmicas ainda é reduzida. Adicionalmente, é válido lembrar que a mídia tem uma importante função na mobilização social, posto que incentiva o corpo social a aderir aos hábitos considerados relevantes para a saúde. Em síntese, a atuação midiática diminuiria os entraves existentes na prevenção das epidemias.
Além disso, é perceptível a inoperância do Governo Federal na efetivação das políticas públicas alusivas ao amplo enfrentamento das epidemias. Nesse sentido, é importante mencionar o Sistema Único de Saúde (SUS), o qual possui como referencial teórico a democratização da saúde, marcada pelo acesso integral, universal e gratuito aos serviços de saúde. Entretanto, essas grandes vantagens previstas no SUS estão, na maioria das vezes, resumidas à teoria, visto que, na contemporaneidade social brasileira, nota-se a defasagem da saúde pública, relacionada à negligente atuação do Poder Público, já que a infraestrutura das clínicas hospitalares e dos postos de saúde é, muitas vezes, precária, como também faltam médicos, leitos e investimentos financeiros. Em suma, uma maior participação estatal implicaria a maior eficiência no controle e no combate às epidemias.
Dessarte, a saúde pública brasileira ainda enfrenta grandes desafios para combater as epidemias. Assim, cabe à mídia desenvolver alternativas para atenuar as epidemias, por intermédio da criação de projetos sociais voltados para combater essas doenças, os quais promoverão a criação de campanhas publicitárias informativas e engajadas que abordem mecanismos de prevenção, com o propósito de minimizar as epidemias. Ademais, o Ministério da Saúde deve criar meios para suprir os desafios enfrentados pelos hospitais públicos. Dessa forma, os desafios retratados na série ‘‘Sob Pressão’’ poderão ficar restritos à ficção, o que implicará o amplo combate às epidemias no contexto brasileiro.