Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 29/06/2020
Desde 1500, o Brasil enfrentou várias epidemias, como as de febre amarela, gripe espanhola, varíola, poliomielite, meningite; e a mais nova, de coronavírus. O que quase não mudou em pouco mais de cinco séculos foram as ações das autoridades, que se mostram incompetentes e insuficientes, e a falta de informações para as massas populares. O que expõe uma situação complicada no complexo sistema de saúde público, que necessita de mudanças no condizente ao enfrentamento de doenças.
Em 1904, Oswaldo Cruz tomou medidas para impor a vacinação obrigatória contra a varíola, o que provocou forte reação popular, conhecida como a Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro. Dessa forma, observa-se que historicamente os próprios cidadãos brasileiros dificultam o trabalho dos agentes da saúde no combate às patologias. O que contradiz Zygmunt Bauman, sociólogo da atualidade que diz: “a civilização, o mundo ordenado em que vivemos, é frágil. Estamos patinando em gelo fino. Há um medo de um desastre coletivo. Terrorismo, genocídio, gripe, tsunamis”. Tal fato está diretamente ligado a falta de informações que recebem, e até mesmo relatórios falsos e contraditórios. Todavia, mesmo que a população se preocupe com sua fragilidade, age também colocando empecilhos para seu bem-estar.
Além disso, os governos parecem sempre agir de maneira lenta e tardia para lutar contra doenças. Ademais, a insuficiência na resposta e o descaso das autoridades para com as populações de trabalhadores, as famílias de baixa renda e moradores da periferia levam a um número elevado de mortes evitáveis. Por exemplo, o Sistema Único de Saúde, que ofereceria serviços de qualidade para a população, como um direito de todos, foi deixado de lado. Em 2017, o governo bloqueou aproximadamente 42 bilhões de reais com gastos públicos, sendo que parte desse dinheiro era destinado ao SUS. Neste momento da pandemia de coronavírus é um cenário em que os baixos investimentos nesse setor e o número insuficiente e a precariedade dos equipamentos dificultam ainda mais o trabalho dos profissionais, colocando a saúde da população em risco e, ainda, aumentando os desafios cotidianos, potencializados pelo momento em que se vive.
Por conseguinte, é inegável que deve-se fazer mudanças. É necessária uma organização dos gastos públicos, a fim de ser repassada uma quantia maior à atenção básica, para investimentos nas unidades de saúde, através de acordos com empresas privadas e estudos dos gastos estatais. Conjuntamente, o Ministério da Saúde deve aumentar campanhas de conscientização, por intermédio de propagandas na mídia, para alertar as pessoas sobre os perigos de doenças e transmitir informações corretas e verdadeiras. Dessa forma, será possível resguardar a saúde pública da melhor maneira possível durante episódios difíceis.