Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 30/06/2020
Em sua primeira lei, o renomado físico I. Newton revelou que um corpo tende a permanecer parado ou em movimento uniforme até a inércia ser interrompida pela ação de uma força exterior. Semelhante a tal decreto, a permanência de epidemias no Brasil é um enorme desafio na saúde pública, sendo imperativa novas medidas para alterar o curso dessa realidade. Nesse apreensão, analisa-se que grande parte da dificuldade do país para lidar com doenças super contagiosas decorre de uma precária educação ambiental de muitos cidadãos, somada aos graves desequilíbrios no sistema único de saúde.
Convém ressaltar, a princípio, o desconhecimento e a irresponsabilidade de várias pessoas relativos às medidas sanitárias como importantes permissores do dilema. Sobre essa perspectiva, cerca de trinta por cento dos lares brasileiros têm em seu interior o acumulo de objetos com água parada ou, ainda, estão próximos de terrenos com rejeitos sólidos onde se formam focos do mosquito Aedes aegypti - conforme matéria divulgada pelo Jornal da Cultura. Certamente, essa situação é uma das grandes responsáveis pela recorrência de epidemias de dengue, zika e chikunguya, bem como pela trágica sobrecarga das emergências hospitalares. Logo, são urgentes as mudanças nesse comportamento inconsequente para vencer tal desafio à saúde nacional.
Outrossim, vale mencionar como os desajustes administrativos das diferentes frentes do SUS deixam as epidemias seguirem uma crescente no país. Nesse sentido, diversas instituições públicas de atendimento primário (Unidades de Pronto Atendimento e Básicas de Saúde) estão sucateadas estruturalmente e funcionam com o desfalque de alguns importantes profissionais, como médicos da família e agentes comunitários, como afirma pesquisa divulgada pelo Folha. Lamentavelmente, tais desgastes dos instrumentos para conter doenças contagiosas possibilitam o desconhecimento da população local quanto as medidas profiláticas e delimitam o campo de atendimento para pacientes com sintomas leves, os quais acabam procurando os hospitais de maior complexidade da região, geralmente, já lotados. Portanto, reequilibrar os atendimentos dentro SUS é vital para mudar tal cenário.
Em suma, faz-se inadiável a tomada de medidas atenuantes aos impasses abordados. Urge, pois, ao Ministério Público entrar com uma ação obrigando a União a liberar verbas destinadas para o reparo das falhas da área da saúde. Tal ação judicial exigirá uma articulação dos governos federais, estaduais e municipais para usar esse investimento na reestruturação das UPAs e UBS de todos os municípios, objetivando otimizar o alcance de todos os mecanismos de medicina preventiva, principalmente, o saneamento básico, a fiscalização de focos de mosquitos e a atenção médica aos moradores da comunidade. Destarte, o SUS será calibrado para de fato interromper a inércia das epidemias no Brasil.