Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 29/06/2020

No cenário salutar brasileiro, denota-se como um desafio socioestatal a contingência epidêmica como forma de garantia do bem-estar social - escopo presente no artigo 196º da Carta Cidadã. Congênere, infere-se a convergência da hipermodernidade brasílica com o Brasil fictício de Clarice Lispector - em sua obra “A Hora da Estrela”- o qual exara um pálio de inequidade cívica, onde os direitos axiais eram oclusos. Destarte, ressai-se a monta de maior responsabilidade sociogovernamental para a atenuação do panorama negativo da saúde tupiniquim.

Mormente, sobrevela-se, sob um prisma político, a penúria de estratégias no que concerne à criação de mecanismos suficientemente efetivos para o controle de epidemias em solo nacional. Nesse silogismo, convém pontuar sob a perspectiva da obra “Utopia” - do escritor inglês Thomas More - a qual retrata uma sociedade idealizada, onde o copo social isenta-se de problemas. Deploravelmente, esse cenário não  vige no Brasil, haja vista que embora haja medidas, como o Sistema Único de Saúde -SUS-, com o fito de garantir a higidez, nesse caso através do controle epidêmico, a hipossuficiência de vigilância epidemiológica e de recursos diagnósticos e infraestruturais intensifica a vulnerabilidade populacional em contrair a doença, consequentemente aguça a morosidade hospitalar e a morbimortalidade, o que afeta os setores educandário, econômico e cultural do país.

Outrossim, ressalta-se a intrínseca displicência das instituições sociais como propulsora da inópia de concepções críticas, propiciando óbices salutares. Desse modo, observa-se a exiguidade de uma reformulação sociopedagógica do Programa Saúde nas Escolas -PSE- que embora vise disseminar conhecimentos hígidos, ainda obsta o êxito da autocriticidade no tocante à mudança de hábitos anfêmeros para a efetividade das ações de prevenção e controle. Nesse viés, reforça-se a ideia da teórica Vera Maria Candau, que apraza que o sistema educandário moderno está preso nos moldes do século XIX e não perpetua propostas significativas para as inquietudes hodiernas. Destarte, releva-se o lapso das instituições formadoras de conduta que constitui um entrave para a formação ativa estudantil.

Insta-se, pois, que os estorvos do controle de epidemias no Brasil sejam, pragmaticamente, resilidos. Logo, é impreterível que a Secretaria do Tesouro Nacional intensifique investimentos, por meio do SUS, direcionados para a atenuação do avanço de doenças transitórias através de uma maior disponibilização de vacinas gratuitas para reduzir as possibilidades de colapso nos hospitais. Além disso, é imprescindível que o Ministério da Educação, com o auxílio do PSE, reformule o currículo escolar com o implemento da disciplina “Prevenção a todo custo”, com o objetivo de estimular a reflexão crítica na circunjacência salutar. Dessa forma, as máculas de Lispector serão coíbas no Brasil.