Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 30/06/2020
No Brasil, são constantes as discussões ligadas à prevenção e ao combate de epidemias. Ainda assim, há anos que o país luta contra surtos de doenças, incluindo aquelas causadas por vírus que já possuem vacina, como no caso do grande numero de infectados por sarampo no ano de 2019. Com isso, pode-se notar a ineficiência do poder público, seja pela má administração na área da saúde, seja pela precária educação fornecida à maior parte da população.
Antes de tudo, vale reconhecer o alto nível de estruturação da saúde pública nacional. Durante sua participação no programa de televisão Roda Viva, o doutor Drauzio Varella, apesar de destacar a singularidade e a qualidade do SUS, o Sistema Único de Saúde, ressalta a falha administrativa, visto a complexidade do aparelho público. É inegável, de qualquer forma, que o acompanhamento médico é, constantemente, negligenciado.
Outro ponto notável é o de que a maior parte dos acometidos pelas doenças virais no país, como a dengue, compõem a classe mais pobre da população. Isso está diretamente relacionado, entre outros fatores, com a dificuldade dessa parcela de interpretar e acompanhar os diversos anúncios e campanhas de prevenção e vacinação. Tal problemática pode ser explicada pela ineficiente educação fornecida pelo poder público, fato que é constantemente evidenciado pelo exame do Pisa.
Logo, infere-se que a persistência dos surtos epidemiológicos no Brasil deve-se, não apenas às falhas de gestão na saúde pública, mas também ao sistema educacional. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde a aplicação de medidas que equipare a direção do SUS à sua complexidade e teórica eficiência. Isso poderia ser efetivado por uma integração tecnológica que permita, no mínimo, uma melhor sistematização e analise de dados. Além disso, ao Ministério da Educação vale, não só uma atualização do currículo da educação, que há muito tempo se mostra pouco eficaz, mas também a adoção do ensino de práticas que previnam e evitem a propagação das doenças logo nos primeiros anos letivos.