Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 09/07/2020

O livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, mostra a forma que os surtos periódicos de algumas doenças desestruturam certas famílias, como a da personagem Dora, a qual ficou órfã após os pais morrerem de varíola. Hodiernamente, no Brasil, é notório que essas mazelas epidêmicas abordadas na obra literária ainda assolam bastantes regiões, pois, com a falta de informação e de ação da população, as taxas de contaminação só aumentam. Logo, urgem medidas realizadas pelo Governo e pela sociedade para reverter essa situação de desamparo e de despreparo dos brasileiros.

Decerto, bastantes doenças epidêmicas tem suas medidas profiláticas mitigadas pela falta de conhecimento das pessoas sobre a temática. A título de ilustração, tem-se a “Revolta da Vacina”, ocorrida no início do século XX, a qual foi motivada pela pouca informação dos indivíduos do Rio de Janeiro sobre os efeitos da vacina, acarretando um embate entre população e governo estadual. Nesse sentido, observa-se o quanto o desconhecimento sobre algo pode levar muitas pessoas a se rebelarem ante o desconhecido, mormente quando a temática se refere às doenças, pois, os contingentes, motivados pelo medo, optam pelas formas de combate conhecidas, restringindo as profilaxias. Isso ocasiona, determinadas vezes, o alastramento desses flagelos e o aumento da taxa de contaminação. Dessarte, é premente que o Ministério da Saúde modifique esse cenário de conhecimento limitado.

Ademais, a falta de atuação da população nas medidas contras essas mazelas contribuem, também, para a propagação delas. Nessa toada, tem-se o conceito de “Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, o qual fala sobre o cidadão não ter seus direitos ou não seguir seus deveres. Nesse contexto, nota-se que o pensamento de Gilberto aplica-se na população brasileira, a qual não atua no seu papel de cidadão no combate a certas doenças, como dengue e febre amarela, sendo mostrado em noticiários, como o “Fantástico”. Isso fomenta, bastantes vezes, o número de focos de muitos mosquitos transmissores de flagelos endêmicos, a exemplo dos objetos com água parada. Diante disso, é perceptível a necessidade de a sociedade intervir nesse entrave.

Destarte, percebe-se que os empecilhos das medidas profiláticas das doenças epidêmicas devem ser combatidos. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as mídias, por meio de propagandas e de outdoors, como as do combate à dengue, mostrar os benefícios das medidas de prevenção, entre elas a vacina, com o fito de deixar a população informada sobre essas doenças e sobre o modo de erradicá-las. Outrossim, cabe à sociedade, via mutirões, alertar os indivíduos sobre a necessidade de sua atuação nos atos de precaução e mostrar formas eficazes de combater. Desse modo, os impasses das epidemias, como visto na obra de Jorge Amado, poderão ser reduzidos.