Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 23/07/2020
No início do século XX, uma revolta, que ficou conhecida como Revolta da Vacina, assolou por vários dias as ruas do Rio de Janeiro. O motivo se configurou como reação a uma medida invasiva de vacinação obrigatória, que, aliada à desinformação da população, causou um medo generalizado na sociedade da época. Paralelamente, apesar de terem transcorridos tantas décadas, o Estados brasileiro ainda tem sido ineficaz na disseminação de informações necessárias para a erradicação de epidemias, bem como a população resiste e despreza medidas fundamentais para combatê-las. Nesse sentido, é indubitável que a saúde pública enfrenta um grande desafio, o qual precisa ser revertido.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a persistência de surtos de doenças infecciosas no Brasil perpassa, principalmente, pela escassez de educação sanitária no país. Nesse contexto, as campanhas de conscientização, que são difundidas somente em algumas temporadas do ano, têm sido ineficazes na prevenção de epidemias, como as de Dengue e Febre Amarela, uma vez que a sociedade brasileira não dispõe de uma sólida consciência coletiva sobre a importância de se precaver de inúmeras enfermidades, seja pelas medidas de controle dos vetores, seja pela vacinação. Dessa forma, ainda que a Constituição Cidadã salvaguarde a saúde como um direito de todos e um dever do Estado por meio do Sistema Único de Saúde, as políticas públicas atuais de combate às epidemias são pouco eficientes nesse viés.
A consequência para tanta desinformação, portanto, se reflete no avanço do Movimento Antivacina, uma ideologia errônea e sem embasamento científico que prega a abominação da imunização ativa pela crença de que seus efeitos colaterais são mais perigosos do que a própria doença. No Brasil, o desdobramento desse fenômeno é notório, haja vista o retorno de surtos de contágio por doenças que já haviam sido erradicadas anteriormente, como o Sarampo. Nessa perspectiva, muitos pais ou responsáveis aderem ao movimento e, de forma negligente, põem em risco a vida de crianças e adolescentes ao não imunizá-los. Portanto, assim como na época da Revolta da Vacina, o combate a epidemias que se perpetuam no país fica comprometido.
Sob tal ótica, é imperioso enfatizar a urgência por mudanças na conjuntura vigente. Para tanto, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com as instituições de educação, promova sessões periódicas de palestras e amostras para pais e alunos, por meio da participação de médicos infectologistas e assistentes sociais para intermediar informações e ações práticas necessárias para prevenção das epidemias. O objetivo dessa intervenção é esclarecer a importância de tais medidas e desmistificar tabus sobre esse tema. Assim, o Brasil estará engajado na superação desse panorama.