Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 10/09/2020

Consoante a Constituição Federal, a saúde é um direito essencial de toda população, cabendo ao Estado garanti-lo. Porém, no âmbito da rede de saúde pública, existem desafios e falhas que possibilitam a persistência de epidemias no Brasil, como a carência de saneamento básico em alguns locais e a existência de uma parcela dos brasileiros com pouco conhecimento sobre as doenças. Com isso, a educação e o investimento no setor sanitário são os principais meios capazes de mudar o cenário das epidemias no Brasil.

Com sabe nesse raciocínio, existe uma íntima relação entre falta de saneamento básico e a incidência de certas doenças. Tal fato foi retratado no livro “O cortiço”, do naturalista Aluísio Azevedo, ao abordar a precariedade das condições sanitárias das habitações e ruas da periferia do Rio de Janeiro no século XIX, assim como a consequente recorrência de doenças entre a população. Nesse sentido, é inegável que esse aspecto da obra ainda está presente no Brasil de hoje, sendo a falta de saneamento de qualidade um veículo de disseminação de epidemias, afetando a saúde pública do país.

Diante da mesma temática, aspectos socioeducacionais também são um desafio no quadro epidemiológico brasileiro. Sobre isso, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) levantou dados ao longo da última década sobre a dengue no Brasil. Tal levantamento constatou que a transmissão da doença é maior em grupos populacionais com baixo nível de escolaridade. Portanto, para lidar com epidemias como essa, é imprescindível derrubar essa barreira de limitação educacional, a qual impede a consolidação de uma sociedade ciente dos meios de transmissão e prevenção contra enfermidades.

Dessa forma, é premente corrigir esses empecilhos que limitam o combate à epidemias no Brasil, prejudicando a vida da população e o sistema de saúde pública. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, promover palestras em escolas públicas, com profissionais da área de saúde, como epidemiologistas e biomédicos, capazes reforçar a educação sanitária, prevenção e combate a epidemias, para os jovens menos favorecidos. Ao mesmo tempo, os Governos Municipais devem investir na melhoria do saneamento básico em todas as cidades do país, por meio da destinação de  maiores verbas para esse fim, diminuindo, assim, as chances de contágio de muitas doenças. Com medidas dessa natureza, é possível que o país esteja mais preparado para evitar epidemias, fazendo jus à determinação Constitucional de direito à saúde.