Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 16/09/2020
Em um dos episódios do seriado mexicano “Chaves”, todos os moradores da vila contraem catapora devido à imprudência de Chiquinha, já que ela contraria as normas de isolamento. De maneira similar, a postura errônea da personagem citada em nada difere da real situação sanitária do Brasil, pois a banalização comportamental do indivíduo, bem como a escassez de estudos científicos epidemiológicos são aspectos intensificadores desse caos moderno. Dessa maneira, reavaliar o comportamento social e as formas de profilaxia torna-se dever de cada brasileiro, a fim de que o cuidado com o próximo seja uma alternativa ao problema.
Nesse âmbito, a ausência de investimentos direcionados a estudos epidemiológicos evidencia a hegemonia de um corpo social moldado na leviandade, o que reforça comportamentos omissos. Nessa perspectiva, o pedagogo Paulo Freire traz a educação como o caminho para libertação e para autonomia dos indivíduos. Sob tal ótica, fica nítido que o ensino a respeito de doenças locais de disseminação vasta e rápida é indispensável, uma vez que ajuda a criar mecanismos para preveni-las de forma mais assertiva. Em verdade, é notório que assegurar maiores investimentos na área epidemiológica é um caminho inebriante para a prevenção às patologias que acometem a sociedade brasileira.
De outra parte, a socióloga Hannah Arendt, por meio da teoria da Banalidade do Mal, demonstra que a negligência a qualquer problema, como o persistente descaso com manifestações epidêmicas, pode desencadear um caos. Em face disso, tal preceito assume contornos específicos no Brasil, onde há quem sustente e propague certo sentimento de indiferença com as formas de profilaxia, já que o próprio indivíduo banaliza as ações de caráter preventivo. Em síntese, é preciso observar a elaboração de estratégias públicas de combate às epidemias como o caminho mais eficaz para a construção de um sistema de saúde eficiente.
É necessário, portanto, que os atores sociais trabalhem juntos frente à incidência das pandemias no Brasil. Para tanto, o Ministério da Saúde em parceria com Iniciativas Privadas devem viabilizar a disponibilização de instrumentos, a formulação de políticas e recursos financeiros voltados para pesquisas e análises epidemiológicas, pois esses estudos podem direcionar as formas de atuação e as medidas a serem tomadas durante uma crise epidêmica. Além disso, tal empreitada intersocial será executada por intermédio de um ciclo de ações engajadas, a exemplo da presença de vigilância epidemiológica e da difusão de políticas públicas de apoio à construção de conhecimento científico, que incutam o sentimento de bem-estar no trato social. Por fim, objetiva-se distanciar a realidade brasileira da série “Chaves”.